
A Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas do prefeito reeleito de Afogados da Ingazeira, Alessandro Palmeira, conhecido como Sandrinho Palmeira, e do vice-prefeito Antônio de Souza. A decisão foi proferida na segunda-feira (27) pelo Juízo da 66ª Zona Eleitoral, após reconhecer irregularidades graves no processo eleitoral de 2024.

Além da perda dos mandatos, ambos foram declarados inelegíveis por oito anos, assim como Jandyson Henrique Xavier Oliveira, apontado como peça central no esquema investigado.

A sentença acolheu as acusações do Ministério Público Eleitoral, que apontou abuso de poder político e econômico capaz de comprometer a lisura da disputa. A ação foi movida pela coligação “União pelo Povo”, adversária no pleito.
As investigações revelaram a existência de um esquema de movimentações financeiras não declaradas, caracterizado como “caixa dois”, além do uso da estrutura da prefeitura para beneficiar a campanha de reeleição. Segundo os autos, recursos públicos teriam sido desviados para influenciar eleitores.
Um dos episódios mais relevantes ocorreu na véspera da eleição, quando Jandyson foi preso em flagrante com R$ 35 mil em dinheiro e mais de R$ 240 mil em autorizações de abastecimento de combustível. Na época, ele acumulava as funções de secretário de Finanças do município e coordenador financeiro da campanha.
De acordo com a decisão judicial, essa dupla atuação permitiu a mistura indevida entre recursos públicos e eleitorais. Há indícios de que abastecimentos foram autorizados de forma irregular, inclusive para veículos que deveriam prestar serviços à população, como caminhões-pipa.
Para a Justiça, o conjunto de provas demonstrou que a estrutura administrativa municipal foi utilizada para interferir na vontade do eleitorado e desequilibrar a disputa. Despesas não teriam sido informadas à Justiça Eleitoral, ocultando a real dimensão dos gastos da campanha.
Jandyson também responde a denúncia por corrupção eleitoral, em decorrência dos fatos apurados durante a investigação.
Apesar da decisão, a cassação ainda não tem efeito imediato. Os envolvidos podem recorrer, e a perda dos mandatos só será aplicada após o esgotamento das possibilidades de recurso nas instâncias ordinárias.
O caso segue em andamento e pode gerar novos desdobramentos, inclusive na esfera criminal, já que cópias do processo foram encaminhadas para aprofundamento das investigações.








