PT volta ao TSE contra a Meta e acusa plataforma de favorecer Flávio Bolsonaro nas eleições
Campanha de Lula aponta descumprimento de decisão judicial e questiona funcionamento da inteligência artificial da empresa; multa pode chegar a R$ 1 milhão por dia.

A atuação da Meta durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 voltou a ser questionada na Justiça Eleitoral. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma nova manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que a empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp não estaria garantindo condições iguais de participação aos candidatos na disputa pela Presidência da República.
O novo questionamento ocorre após uma determinação do TSE para que a companhia demonstrasse a adoção de medidas destinadas a assegurar tratamento equilibrado às campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo representantes petistas, a ordem judicial não teria sido integralmente cumprida, especialmente durante um período considerado decisivo para a mobilização dos eleitores.
Uma das principais reclamações envolve ferramentas de inteligência artificial disponibilizadas pela Meta. O PT afirma que o sistema estaria apresentando resultados favoráveis ao número 22, utilizado por Flávio Bolsonaro, inclusive em solicitações que não mencionariam diretamente o candidato. A alegação integra os questionamentos da campanha, mas não representa uma conclusão da Justiça Eleitoral sobre eventual favorecimento.
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a legenda pretende demonstrar ao tribunal que as providências determinadas pelo ministro Marco Aurélio Belizze não foram efetivamente observadas. Para o dirigente, a repetição das reclamações compromete a confiança no funcionamento das plataformas digitais durante a reta final da campanha.
A discussão também chegou a representantes internacionais. Conforme Valadares, uma reunião realizada nesta segunda-feira (19) reuniu órgãos de investigação e observadores eleitorais da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA). O encontro teve como objetivo abordar os questionamentos relacionados à atuação da empresa no processo eleitoral brasileiro.
O impasse ganhou força depois que o ministro Marco Aurélio Belizze estabeleceu, no domingo (18), um prazo de 24 horas para a Meta apresentar comprovações de que está cumprindo as exigências de igualdade na distribuição de conteúdos políticos e anúncios eleitorais. Caso o cumprimento integral das medidas não seja demonstrado, está prevista a possibilidade de elevação da multa diária para R$ 1 milhão.
A empresa, por sua vez, já reconheceu a existência de problemas técnicos em seus sistemas de impulsionamento de publicidade eleitoral. Em comunicado divulgado na sexta-feira (16), a Meta informou que falhas afetaram campanhas de diferentes posições políticas e afirmou que os incidentes foram corrigidos rapidamente.
Na mesma manifestação, a companhia rejeitou as acusações de interferência deliberada nas eleições brasileiras. Segundo a Meta, os problemas não ficaram restritos à campanha de Lula, uma vez que Flávio Bolsonaro também teria relatado dificuldades relacionadas ao funcionamento das ferramentas de anúncios.
A empresa sustenta que não favorece candidatos nem partidos políticos e considera infundadas as acusações de atuação direcionada para beneficiar uma das campanhas. Essa posição contrasta com as suspeitas apresentadas pelo PT, que insiste na necessidade de providências adicionais para assegurar a igualdade de condições entre os concorrentes.
Com o segundo turno marcado para domingo (25), o caso amplia o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais no processo democrático. Caberá ao TSE avaliar as informações apresentadas pela Meta e os novos argumentos da campanha petista para decidir se houve descumprimento das determinações judiciais e se serão necessárias outras medidas.
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