Medo de perder Bolsa Família aumenta rejeição a Flávio Bolsonaro, avalia diretor da Quaest
Pesquisa aponta que 44% dos eleitores temem o retorno do bolsonarismo ao poder, enquanto 42% demonstram receio da reeleição de Lula; crescimento da indecisão preocupa na reta final.

A possibilidade de mudanças nos programas sociais, especialmente no Bolsa Família, passou a ocupar um espaço importante na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo avaliação de Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, o receio de perder benefícios sociais contribuiu para aumentar a resistência à candidatura do senador, principalmente entre os eleitores atendidos por políticas de transferência de renda.
O levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) mostra que 44% dos entrevistados afirmam temer o retorno da família Bolsonaro ao comando do país. Em contrapartida, 42% demonstram preocupação com a possibilidade de Lula conquistar mais um mandato. Os números revelam o peso das percepções negativas sobre os dois projetos políticos na reta final da eleição.
Na avaliação de Russo, uma das questões que influenciaram esse cenário foi a proposta apresentada por Daniella Marques, responsável pela coordenação do projeto econômico de Flávio Bolsonaro. A medida prevê uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família, tema que passou a provocar preocupação entre parte do eleitorado dependente do programa.
O diretor da Quaest considera que a campanha de Lula também conseguiu explorar politicamente essas preocupações ao modificar sua estratégia depois do resultado do primeiro turno. Segundo sua análise, a associação entre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e possíveis mudanças nas políticas sociais contribuiu para ampliar o receio de determinados grupos de eleitores.
Entretanto, a proposta de transição mencionada na pesquisa não significa, por si só, que todos os beneficiários perderiam automaticamente o Bolsa Família. A avaliação apresentada pelo pesquisador diz respeito à percepção dos eleitores e aos possíveis efeitos desse temor sobre a disputa presidencial.
Crescimento da indecisão chama atenção da Quaest
Apesar da maior rejeição identificada em relação a Flávio Bolsonaro, Guilherme Russo ressalta que esse comportamento não representa necessariamente uma transferência de votos para Lula. O pesquisador destaca que o aumento da indecisão é um dos fenômenos mais relevantes observados pelo instituto.
Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados precisam mencionar o candidato de sua preferência sem receber uma lista de nomes, o percentual de indecisos cresceu em comparação com a rodada anterior. O resultado sugere que parte do eleitorado ainda enfrenta dificuldades para definir sua escolha, mesmo com a proximidade do segundo turno.
Russo relaciona esse comportamento ao ambiente de confronto estabelecido entre as campanhas. Ataques envolvendo familiares dos candidatos, acusações relacionadas à corrupção e mensagens negativas sobre os adversários passaram a integrar a disputa, aumentando a tensão política entre os eleitores.
Para o diretor da Quaest, a intensificação desse tipo de campanha pode produzir um efeito diferente daquele esperado pelos estrategistas políticos: em vez de convencer o eleitor a apoiar determinado candidato, pode ampliar a insatisfação com as alternativas disponíveis.
Outro possível reflexo seria o desestímulo ao comparecimento às urnas. O pesquisador considera que pessoas ainda indecisas podem optar por não participar da votação diante das dúvidas sobre os candidatos. Apesar dessa possibilidade, a expectativa da Quaest é de que a abstenção seja menor no segundo turno.
A quatro dias da votação, marcada para domingo (25), o cenário permanece marcado pela polarização e pela influência de questões sociais e econômicas sobre a decisão dos brasileiros. Embora a pesquisa identifique maior temor em relação ao retorno do bolsonarismo, os resultados não permitem concluir que Lula será beneficiado automaticamente por esse sentimento.
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Fonte: SBTNEWS



