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Manaus tem pior qualidade do ar do Brasil pelo quinto dia consecutivo e Amazonas registra alta de 271% nas queimadas

Com 36 municípios em situação de emergência, estado enfrenta avanço dos incêndios florestais. Governo federal reforça operações com aeronaves e brigadistas para conter as chamas.

Foto: Vlad Hilitanu

A população do Amazonas enfrenta mais um período crítico provocado pelos incêndios florestais. Nesta segunda-feira (12), Manaus amanheceu novamente coberta por uma densa camada de fumaça, comprometendo a visibilidade e a qualidade do ar. Pelo quinto dia consecutivo, a capital amazonense registrou os piores índices de poluição atmosférica do Brasil, segundo o monitoramento da plataforma internacional IQAir.

O cenário preocupa não apenas pela destruição da vegetação, mas também pelas consequências para a saúde dos moradores. A fumaça produzida pelas queimadas se espalha por diferentes regiões, aumentando a exposição da população a partículas poluentes. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios estão entre os grupos mais vulneráveis.

Os números ajudam a compreender a dimensão da crise. De acordo com o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio entre os dias 1º e 10 de outubro. No mesmo período do ano passado, foram 372 registros, o que representa um crescimento de aproximadamente 271%.

O levantamento também mostra que a maior parte das ocorrências foi identificada em áreas públicas, com 1.186 registros. Outros 93 focos foram contabilizados em propriedades privadas. A distribuição dos incêndios por diferentes localidades dificulta o trabalho das equipes, principalmente nas regiões de floresta preservada e com acesso limitado.

Governo mobiliza aeronaves e centenas de brigadistas

Para enfrentar a emergência ambiental, o governo federal intensificou as operações de combate às chamas. Conforme boletim divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente no domingo (11), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já havia conseguido extinguir 236 incêndios no Amazonas.

Apesar do resultado, outros 22 focos permaneciam ativos e exigiam a continuidade das operações. O trabalho envolve equipes terrestres e apoio aéreo, fundamentais para alcançar localidades mais afastadas.

Das 11 aeronaves disponibilizadas pelo governo federal, seis já haviam chegado ao estado. A estrutura também conta com aproximadamente 250 brigadistas mobilizados, enquanto outros 40 profissionais estavam a caminho para reforçar o enfrentamento das queimadas.

O Amazonas recebeu ainda apoio do governo de São Paulo, que enviou uma equipe composta por 30 profissionais. O grupo reúne 25 bombeiros e cinco integrantes da Defesa Civil estadual, ampliando a capacidade de resposta à emergência.

Ministro aponta indícios de incêndios provocados intencionalmente

A gravidade da situação foi reconhecida pelo ministro João Paulo Capobianco durante entrevista coletiva realizada no domingo (11), na Base Aérea de Manaus.

Após visitar a região de Autazes para acompanhar as ações de monitoramento, o representante do governo federal afirmou ter encontrado uma realidade mais preocupante do que esperava. Um dos principais obstáculos identificados foi a presença de incêndios em áreas preservadas, onde as condições geográficas dificultam a chegada dos profissionais responsáveis pelo combate.

Capobianco também chamou a atenção para possíveis ações criminosas relacionadas à destruição da floresta. Segundo o ministro, existem indícios de que determinados incêndios tenham sido provocados por pessoas interessadas em degradar o bioma amazônico.

Diante dessa suspeita, ele defendeu a identificação e a responsabilização dos envolvidos. A preocupação do governo é impedir que o uso intencional do fogo continue contribuindo para a destruição ambiental e para o agravamento da crise enfrentada pela população.

Situação de emergência atinge pelo menos 36 municípios

Os efeitos dos incêndios já ultrapassam as áreas de floresta e atingem diretamente a rotina das cidades amazonenses. Segundo informações divulgadas no sábado (10) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, pelo menos 36 municípios estavam em situação de emergência.

Em Manaus, a permanência da fumaça sobre a cidade tornou-se um dos principais sinais da dimensão do problema. A baixa qualidade do ar representa um risco adicional para moradores que precisam trabalhar, estudar ou realizar atividades cotidianas ao ar livre.

A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldades para respirar e agravamento de doenças como asma e bronquite. Por isso, durante os períodos de maior concentração de poluentes, a recomendação é evitar exercícios físicos ao ar livre, reduzir a exposição à fumaça e procurar atendimento médico diante de sintomas respiratórios importantes.

Além da preocupação imediata com a saúde pública, o avanço das queimadas exige medidas para proteger a biodiversidade e impedir que novas áreas sejam atingidas.

Com o aumento expressivo dos incêndios em outubro, o Amazonas enfrenta o desafio de controlar os focos ainda ativos, proteger as comunidades afetadas e esclarecer as circunstâncias das ocorrências suspeitas de origem criminosa. Enquanto as equipes seguem mobilizadas, a população permanece exposta aos efeitos de uma crise ambiental que já compromete a qualidade do ar na capital e em outras regiões do estado.

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