Fim da escala 6×1: Senado vota nesta quarta-feira proposta que reduz jornada de trabalho para 40 horas
PEC prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e precisa de pelo menos 49 votos favoráveis para avançar no Congresso Nacional.

O Senado Federal se prepara para uma votação decisiva sobre o futuro da jornada de trabalho no Brasil. Nesta quarta-feira (14), os parlamentares deverão analisar, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que estabelece a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas e assegura dois dias de descanso remunerado aos trabalhadores, sem diminuição dos salários.
A medida representa uma possível mudança nas relações trabalhistas brasileiras, especialmente para profissionais que atualmente cumprem a escala 6×1, caracterizada por seis dias consecutivos de trabalho e apenas um de folga. A proposta busca ampliar o período de descanso semanal e estabelecer uma nova organização da jornada profissional.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluiu a matéria na pauta após semanas de discussões envolvendo parlamentares, representantes do governo, integrantes da oposição e setores da economia. A expectativa é que a votação revele o nível de apoio à mudança entre os senadores.
Para ser aprovada, a PEC precisará conquistar pelo menos 49 votos favoráveis, número correspondente a três quintos dos 81 integrantes do Senado. Por se tratar de uma alteração na Constituição Federal, a proposta exige um quórum mais elevado do que o necessário para a aprovação de projetos de lei comuns.
Proposta já passou pela Câmara dos Deputados
A discussão chega ao plenário do Senado depois de a PEC superar etapas importantes no Congresso Nacional. O texto recebeu aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados e obteve parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em setembro.
Entretanto, a votação prevista para quarta-feira ainda não representa a conclusão do processo legislativo. Antes da análise em primeiro turno, os senadores precisam encerrar as duas sessões de discussão restantes, conforme as exigências regimentais da Casa.
Se conseguir o apoio necessário, a proposta avançará para uma nova fase de debates e precisará passar por outra votação. Nesse segundo turno, serão novamente exigidos pelo menos 49 votos favoráveis.
Apenas depois dessa etapa, caso o Senado mantenha integralmente o texto aprovado pelos deputados, a emenda poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.
Redução da jornada divide opiniões no Congresso
O possível encerramento da escala 6×1 tem provocado discussões sobre seus efeitos para trabalhadores e empregadores. Parlamentares favoráveis à mudança defendem que a redução da jornada poderá proporcionar mais tempo para descanso, convivência familiar e atividades pessoais, sem comprometer a remuneração.
Por outro lado, representantes de setores econômicos e parlamentares contrários à aceleração da proposta demonstram preocupação com os possíveis impactos sobre os custos trabalhistas e a organização das empresas.
Entre os pontos debatidos estão as adaptações necessárias para atividades que funcionam durante toda a semana, incluindo comércio, serviços e outros segmentos que dependem de escalas de trabalho contínuas.
As divergências também envolvem a velocidade de tramitação. Enquanto parte dos senadores busca concluir a análise rapidamente, outros defendem um período maior de discussão para avaliar as consequências econômicas e operacionais da mudança.
O que acontece se a PEC for aprovada nesta quarta-feira?
Mesmo que a proposta alcance os 49 votos necessários na primeira votação, a jornada de trabalho não será alterada imediatamente.
O texto ainda deverá cumprir três novas sessões de discussão no plenário do Senado antes de ser submetido ao segundo turno. Nessa etapa, será necessária outra votação com o mesmo quórum mínimo de aprovação.
Se a PEC receber o apoio exigido e não sofrer alterações em relação à versão aprovada pela Câmara, poderá seguir para promulgação. Caso ocorram mudanças de conteúdo que exijam nova análise dos deputados, a tramitação poderá ser prolongada.
A votação desta quarta-feira será, portanto, um dos momentos mais importantes do debate sobre a redução da jornada de trabalho no país. O resultado poderá indicar se existe apoio político suficiente para modificar as regras constitucionais e ampliar o descanso semanal dos trabalhadores brasileiros.
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