Amazonas registra 540 focos de incêndio em dois dias e coloca 36 municípios em situação de emergência
Avanço das queimadas provoca aumento da poluição do ar, ameaça a saúde da população e mobiliza aeronaves, brigadistas e equipes de assistência médica.

O avanço dos incêndios florestais no Amazonas provocou uma mobilização emergencial de órgãos municipais, estaduais e federais. Em apenas dois dias, o estado registrou 540 focos de calor, enquanto a fumaça das queimadas comprometeu a qualidade do ar e levou ao reconhecimento da situação de emergência em 36 municípios.
Os dados são do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e revelam uma aceleração expressiva dos registros neste mês de outubro. Para efeito de comparação, durante os 31 dias de outubro de 2025, foram contabilizados 874 focos em todo o território amazonense.
Somente no sábado (10), os satélites identificaram 494 novos focos, o maior volume diário registrado desde o início do mês. No mesmo dia do ano passado, o sistema de monitoramento do Inpe não havia detectado novas ocorrências no estado.
Os 540 focos identificados em apenas 48 horas equivalem a aproximadamente 61,8% de todos os registros contabilizados ao longo de outubro de 2025, demonstrando a intensidade do atual cenário de queimadas.
Governo investiga possível ação criminosa
Durante um sobrevoo realizado no domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, observaram incêndios em regiões de floresta com dificuldades de acesso por terra.
Capobianco afirmou que os focos podem estar associados à ação humana intencional. Segundo sua avaliação, o uso do fogo pode ter como finalidade degradar áreas florestais e facilitar futuros processos de desmatamento.
O ministro defendeu a responsabilização dos envolvidos em eventuais práticas criminosas. A identificação dos responsáveis e a confirmação das causas dos incêndios dependem das investigações realizadas pelos órgãos competentes.
Fumaça provoca alerta de saúde em Manaus
Além dos prejuízos ambientais, os incêndios representam uma ameaça direta à saúde dos moradores. A concentração de fumaça levou a Defesa Civil de Manaus a emitir, na sexta-feira (9), um alerta sobre os riscos provocados pela deterioração da qualidade do ar.
A exposição à fumaça pode agravar problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou cardiovasculares.
A gravidade da situação também motivou o reconhecimento emergencial em 36 municípios amazonenses, permitindo ampliar as ações de resposta e assistência às comunidades atingidas.
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) foi mobilizada para atuar nos municípios que decretaram situação de emergência, reforçando o atendimento às pessoas afetadas pelos efeitos das queimadas.
Ibama mobiliza 290 brigadistas e aeronaves
Uma força-tarefa envolvendo diferentes esferas de governo trabalha para conter o avanço das chamas, inclusive em áreas de difícil acesso.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enviou 290 brigadistas e seis aeronaves para reforçar o combate aos incêndios. A estrutura inclui quatro aviões Air Tractor, utilizados para despejar água sobre os focos, e dois helicópteros.
De acordo com o presidente do Ibama, Jair Schmitt, os aviões empregados na operação possuem características específicas para o combate a incêndios florestais e capacidade de transportar aproximadamente 3 mil litros de água por lançamento.
A operação também recebeu o reforço de dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que chegaram ao Amazonas no domingo (11), após solicitação da Defesa Civil.
Assistência humanitária é prioridade
O ministro Waldez Góes destacou que a resposta à emergência não se limita ao combate direto às chamas. Segundo ele, é necessário garantir atendimento médico e assistência humanitária às populações afetadas pela fumaça e pelos incêndios.
O governo do Amazonas participa da coordenação das demandas apresentadas pelos municípios, enquanto órgãos federais e equipes locais organizam o emprego de recursos nas áreas mais atingidas.
As operações de combate enfrentam dificuldades relacionadas à extensão territorial do estado e à localização de focos em regiões isoladas da floresta.
Com o aumento dos registros em outubro, o monitoramento por satélite e a atuação integrada das equipes de emergência permanecem fundamentais para acompanhar a evolução dos incêndios, reduzir os danos ambientais e proteger a população.
Palavras-chave: Amazonas, queimadas no Amazonas, incêndios florestais, 540 focos de incêndio, Inpe, Manaus, fumaça das queimadas, poluição do ar, emergência no Amazonas, 36 municípios em emergência, Ibama, brigadistas, Força Aérea Brasileira, KC-390, João Paulo Capobianco, Waldez Góes, Ministério do Meio Ambiente, Amazônia, desmatamento, mudanças climáticas.



