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Estudo revela mudança surpreendente no núcleo da Terra e cientistas investigam possível inversão de rotação

nasa vhsz50aafas unsplash

Uma descoberta científica chamou a atenção de pesquisadores do mundo todo: o núcleo interno da Terra pode ter desacelerado nas últimas décadas e até mudado o sentido de sua rotação em relação à superfície do planeta. A conclusão surge a partir de um estudo que analisou registros sísmicos coletados globalmente ao longo de mais de 30 anos.

A investigação foi conduzida por cientistas da Universidade de Pequim, que examinaram dados de terremotos registrados entre 1990 e 2021. Ao observar como as ondas sísmicas atravessam o interior da Terra, os pesquisadores conseguiram identificar alterações no comportamento da região mais profunda do planeta.

O núcleo interno fica a milhares de quilômetros abaixo da superfície e é composto principalmente por ferro e níquel em estado sólido. Apesar de estar no centro da Terra, ele não permanece completamente estático: essa estrutura gira, e sua dinâmica pode variar ao longo do tempo.

Os dados analisados indicam que, até aproximadamente 2009, o núcleo interno girava levemente mais rápido do que a própria superfície terrestre. Após esse período, porém, os registros sugerem uma desaceleração gradual desse movimento, com possibilidade de uma pausa temporária antes de uma eventual inversão na direção de rotação.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas compararam o tempo que as ondas sísmicas levam para atravessar o interior do planeta. Pequenas variações nesse tempo revelam mudanças na estrutura ou no movimento das camadas internas.

Os pesquisadores também encontraram indícios de que esse tipo de alteração não é inédito. Dados históricos sugerem que um fenômeno semelhante pode ter ocorrido por volta da década de 1970. A partir dessa comparação, os cientistas levantam a hipótese de que o núcleo interno possa seguir um ciclo natural de aproximadamente 70 anos.

A dinâmica dessa região profunda do planeta é influenciada por diferentes fatores, como interações gravitacionais entre o núcleo e o manto, forças relacionadas ao campo magnético da Terra e diferenças de temperatura e densidade entre as camadas internas.

Apesar de acontecer em uma profundidade extrema, essa mudança pode ter reflexos discretos na superfície. Estudos anteriores indicam que alterações no movimento do núcleo podem provocar pequenas variações na duração dos dias terrestres, normalmente medidas em milissegundos.

Pesquisadores também investigam se essas oscilações podem ter alguma relação com mudanças no campo magnético do planeta, atividade sísmica, comportamento das placas tectônicas e outros processos geológicos de longo prazo.

Especialistas reforçam, no entanto, que o fenômeno não representa qualquer risco imediato para a população. As mudanças são extremamente sutis e fazem parte da dinâmica natural do planeta.

O principal objetivo das pesquisas é compreender melhor o funcionamento do interior da Terra e como essas transformações profundas podem influenciar processos naturais ao longo de décadas ou até séculos. Enquanto isso, cientistas continuam analisando novos dados geofísicos e sísmicos para entender com mais precisão o comportamento do núcleo do planeta.

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