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Curiosity registra imagem inédita de paredões esculpidos pelo vento em Marte

Panorama produzido pelo rover da Nasa revela detalhes dos chamados “yardangs”, estruturas que podem guardar pistas sobre transformações ocorridas no planeta há bilhões de anos

NASA/JPL-Caltech/MSSS

Uma formação incomum na paisagem de Marte está no caminho do rover Curiosity e despertou o interesse dos cientistas da Nasa. Conhecidas como “yardangs”, enormes estruturas moldadas pela ação do vento aparecem agora no registro mais detalhado já obtido desse tipo de formação no planeta.

O panorama foi divulgado nesta terça-feira (6), mas as imagens foram captadas em 11 de agosto, durante o 4.982º dia marciano da missão. A câmera Mastcam, instalada no Curiosity, produziu seis fotografias que foram transmitidas à Terra e posteriormente combinadas para formar a imagem completa.

As estruturas aparecem à distância sob a iluminação das primeiras horas da manhã marciana. A expectativa dos pesquisadores é que a aproximação do rover permita compreender melhor tanto a composição dos paredões quanto os processos responsáveis por sua formação.

Os yardangs estão relacionados à complexa história geológica do Monte Sharp. A montanha possui diferentes camadas de rochas, cada uma associada a períodos distintos da evolução de Marte. Estudos realizados na região já revelaram evidências de que rios e lagos existiram ali bilhões de anos atrás.

Com o desaparecimento da água, minerais, entre eles sais, permaneceram na superfície. Posteriormente, quando novos materiais deixaram de se acumular na montanha, a ação prolongada dos ventos pode ter removido partes das antigas camadas e contribuído para esculpir as formações observadas atualmente.

Apesar dessas pistas, a origem da camada onde estão os yardangs ainda intriga os pesquisadores. Ashwin Vasavada, cientista responsável pelo projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, destacou que o material apresenta características diferentes do entorno, incluindo coloração, disposição e inclinação das camadas.

NASA/JPL-Caltech/MSSS

Uma das possibilidades consideradas pelos cientistas é que parte desse material tenha se originado de cinzas lançadas por antigas erupções vulcânicas. A hipótese poderá ser investigada com maior profundidade quando o Curiosity alcançar a região.

A previsão é que o rover chegue aos yardangs em 2027. Atualmente, o Curiosity está no segundo ano de sua quinta missão estendida e atravessa uma área com camadas ricas em sulfatos e carbonatos, minerais capazes de fornecer novas informações sobre antigos períodos de secamento da superfície marciana.

A aproximação dessas estruturas abre, assim, uma nova etapa da exploração do Monte Sharp. Ao analisar diretamente as rochas e minerais encontrados no percurso, a missão pretende reconstruir mais uma parte da história ambiental de Marte e compreender como uma região que já teve água chegou à paisagem árida observada atualmente.

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