Erro em nome leva eletricista a ficar preso por oito dias por est*pr* que não cometeu

Por conta de um erro de grafia em seu nome, o eletricista autônomo Jabson Andrade da Silva, de 56 anos, morador do Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, passou mais de uma semana detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, Zona Oeste da capital paulista. A prisão aconteceu por engano, após ele ser confundido com Jabison Andrade da Silva, acusado por um crime de abuso de vulnerável ocorrido entre 2008 e 2015, em Ubatã, interior da Bahia.
Sem antecedentes criminais, casado há mais de três décadas e pai de duas filhas, Jabson foi surpreendido por policiais civis no dia 7 de julho, quando teve a casa invadida durante uma operação de cumprimento de mandados. Ele foi apontado como autor de um crime gravíssimo, embora tenha afirmado desde o início que nunca teve envolvimento com o caso.
O mandado de prisão preventiva foi emitido com base em uma denúncia feita pela ex-companheira do verdadeiro acusado, Jabison, que citou o nome de forma incorreta no inquérito policial. O erro persistiu até o despacho judicial que autorizou a prisão.
A confusão só começou a ser desfeita após a audiência de custódia, realizada em 8 de julho. Ainda assim, Jabson permaneceu no CDP até o dia 15, quando teve a prisão revogada após a Justiça da Bahia reconhecer o equívoco. Durante o período em que esteve preso, ele relatou ter vivido momentos difíceis e desumanos.
A filha de Jabson, Catherine Lourenço, foi uma das responsáveis por mobilizar a família para provar o erro judicial. Segundo ela, a denúncia feita na Bahia mencionava dados incompatíveis com a vida do pai, que desde os anos 1990 reside e trabalha em São Paulo. À época dos crimes atribuídos ao homônimo, Jabson atuava como zelador com registro em carteira.
Com o apoio de advogados e da imprensa baiana, a família conseguiu que o caso ganhasse visibilidade. Um repórter local chegou até mesmo a contatar a denunciante original, o que ajudou a esclarecer a identidade correta do acusado.
O advogado Carlos Magno, responsável pela defesa de Jabson, apontou falhas no processo de identificação, como ausência de verificação de dados básicos como data de nascimento e documentos pessoais. A prisão foi classificada por ele como resultado de uma homonímia não verificada adequadamente pelas autoridades.
Após a libertação, o eletricista afirmou que pretende processar o Estado pelo erro, ressaltando a necessidade de maior cuidado por parte do sistema de Justiça. “Não penso no dinheiro, mas em justiça. Eles precisam ser mais criteriosos”, declarou.
O Tribunal de Justiça da Bahia confirmou que o equívoco partiu do Ministério Público e da Polícia Civil, o que levou à revogação da prisão. O Ministério Público também reconheceu o erro e se manifestou favoravelmente à libertação após a apresentação das provas pela defesa.
Até o momento, não há informações oficiais se o verdadeiro acusado, Jabison Andrade da Silva, foi localizado ou está preso.



