
O senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressistas (PP), declarou que tem enfrentado pressão interna para romper com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ponderou que tal decisão poderia trazer consequências negativas para o país. A fala foi feita durante um encontro com investidores no auditório do banco BTG Pactual, em São Paulo, na última segunda-feira (31).
Segundo Ciro, o governo atual atravessa um processo de desgaste político e econômico considerado por ele como “irreversível”. Ainda assim, defendeu a permanência do partido na base aliada até 2026, com o objetivo de garantir uma transição estável. “Politicamente, seria mais conveniente para mim e para o partido sair agora. Mas isso causaria uma ruptura generalizada e traria danos ao país”, declarou o senador.
O líder progressista comparou o atual cenário ao da gestão de Dilma Rousseff, destacando que a saída do PP em 2016 foi um dos gatilhos do impeachment. Contudo, ele acredita que a situação atual é diferente, pois Lula ainda possui uma base de apoio popular superior a 30%, o que inviabilizaria qualquer movimento semelhante. “Quem tira presidente não é o Congresso, é a população”, pontuou.
Ciro também comentou sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a quem classificou como bem-intencionado, mas sem força política suficiente para implementar mudanças significativas na área econômica. Apesar das críticas, afirmou manter respeito pessoal pelo ministro.
O PP atualmente ocupa o Ministério do Esporte, sob comando de André Fufuca, nomeado em setembro de 2023 durante uma minirreforma ministerial promovida para ampliar o apoio ao governo entre os partidos do Centrão.
Para Ciro, o ideal é manter a governabilidade até o fim do mandato de Lula, preparando o terreno para apoiar uma candidatura de direita nas eleições presidenciais de 2026.
