
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), tornou-se alvo de um pedido de impeachment protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), após a polêmica alteração no resultado final do concurso para procurador do município. A mudança beneficiaria Lucas Vieira Silva, filho de autoridades do Judiciário e do Ministério Público de Contas, em detrimento de outro candidato já homologado.
Segundo o pedido, a nomeação de Lucas teria violado o edital do concurso, uma vez que ele se inscreveu originalmente na ampla concorrência, mas solicitou reclassificação para vaga de pessoa com deficiência (PCD) dois anos após a homologação, com base em laudo recente de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Três pareceres técnicos da Procuradoria recomendaram o indeferimento do pedido, mas a decisão foi revertida pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes, indicado por Campos.
A situação provocou forte reação de entidades como a Associação Nacional dos Procuradores Municipais (ANPM) e a Associação dos Procuradores do Recife (APMR), que repudiaram a mudança e apontaram afronta aos princípios da legalidade, impessoalidade e vinculação ao edital.
Após a repercussão, a nomeação de Lucas foi anulada no Diário Oficial de 31 de dezembro de 2025, e Marko Batista, aprovado originalmente na vaga PCD, foi nomeado. Mesmo assim, o vereador Eduardo Moura sustenta que o ato do prefeito caracteriza crime de responsabilidade e improbidade administrativa, citando ainda possível influência política de familiares do candidato beneficiado.
O pedido será analisado após o retorno dos trabalhos legislativos, em 3 de fevereiro. Moura afirma já ter 11 dos 13 votos necessários para abertura do processo, caso se aplique a regra federal de um terço dos parlamentares. A Câmara Municipal confirmou o recebimento do requerimento, que será incluído na pauta de votação. A Prefeitura do Recife ainda não se pronunciou sobre o caso.
