
Em meio à música alta, fantasias e clima festivo do Bloco Meu Mel, em Gravatá, um gesto simples acabou ganhando significado político. O encontro cordial entre o ex-vereador Bruno Sales e o prefeito Joselito Gomes (PSD), ao lado da primeira-dama Viviane Facundes, mostrou que divergência não precisa ser sinônimo de hostilidade.
Adversários diretos na última disputa municipal, Bruno e Joselito protagonizaram um dos embates mais intensos da política local recente. O ex-parlamentar abriu mão da reeleição na Câmara para tentar o comando do Executivo. Perdeu nas urnas, mas manteve postura crítica à atual gestão. Ainda assim, diante do reencontro público, optou pela cordialidade.
O gesto pode parecer trivial. Não é. Em um cenário nacional marcado por radicalizações e ataques pessoais, atitudes como essa revelam maturidade democrática — algo cada vez mais raro no debate público. Política é confronto de ideias, projetos e visões de cidade. Não deveria ser guerra pessoal.
Bruno Sales, que tem o nome ventilado como possível pré-candidato a deputado federal, poderia ter ignorado o casal ou transformado o momento em cena constrangedora. Fez o contrário. Cumprimentou, abraçou e seguiu o percurso. O prefeito e a primeira-dama corresponderam.
O episódio também carrega simbolismo. O Bloco Meu Mel, evento que integra o calendário festivo da cidade, tem forte identificação com o grupo político do prefeito. Mesmo assim, não houve constrangimento público nem tentativa de transformar a festa em palanque.
É preciso reconhecer: críticas à gestão fazem parte do jogo democrático. Fiscalizar, discordar e apontar falhas é papel legítimo de qualquer liderança de oposição. Mas a crítica não elimina o respeito. Quando o embate ultrapassa a esfera das ideias e descamba para o campo pessoal, perde a política — e perde a sociedade.
O que se viu no meio da folia foi um raro exemplo de civilidade. Não resolve disputas eleitorais nem apaga divergências administrativas. Mas sinaliza que é possível conviver, dialogar e disputar espaço sem desumanizar o outro.
Em tempos de discursos inflamados e intolerância digital, talvez o maior gesto político não tenha sido um discurso no trio elétrico, mas um simples aperto de mão. Porque, no fim das contas, a grandeza na política não está em esmagar o adversário — e sim em saber reconhecê-lo como parte legítima do processo democrático.
