
Um episódio de violência e discriminação envolvendo transporte público chocou moradores do Recife neste fim de semana. O paratleta Nivalmir Cardoso de Farias Júnior, de 25 anos, denunciou ter sido agredido verbal e fisicamente por um motorista de ônibus enquanto tentava embarcar na Zona Sul da cidade.

O caso ocorreu na tarde do domingo (26), na Avenida Barão de Souza Leão, em Boa Viagem. Cadeirante, o atleta afirmou que apenas solicitou a parada de um coletivo da linha TI Joana Bezerra/Boa Viagem, trajeto que costuma utilizar com frequência para retornar para casa, no bairro do Coque.

Segundo o relato, o motorista reagiu de forma agressiva ao pedido. Ele teria descido do veículo já exaltado, questionando a presença do cadeirante na rua em pleno domingo e alegando que não era obrigado a realizar aquele tipo de atendimento. Em seguida, passou a proferir ofensas, incluindo xingamentos capacitistas e racistas.
A situação se agravou quando a discussão foi registrada em vídeo por um amigo da vítima. De acordo com o paratleta, o motorista ameaçou tomar o celular e, em seguida, partiu para a agressão física. Ele afirma ter sido atingido com tapas no peito, colocando em risco sua estabilidade na cadeira de rodas.
O episódio aconteceu logo após o atleta retornar de uma competição de tiro com arco — modalidade que pratica — na qual havia conquistado um resultado positivo. A comemoração, no entanto, foi interrompida pela violência.
Abalado, ele descreveu o impacto emocional do ocorrido, relatando sentimento de revolta e impotência diante da agressão. Segundo ele, a situação apagou completamente a alegria pela conquista esportiva.
O paratleta também destacou que utiliza a mesma linha de ônibus várias vezes por semana para treinar e que nunca havia enfrentado problema semelhante com outros motoristas.
A Polícia Civil de Pernambuco informou que abriu investigação para apurar o caso, que está sendo tratado como vias de fato, injúria e possível dano. O motorista, um homem de 62 anos, já foi ouvido pelas autoridades.
Até o momento, o Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco não se pronunciou sobre o ocorrido. O caso segue em apuração e pode resultar em responsabilização criminal, além de eventuais medidas administrativas.








