
Líderes da oposição no Congresso Nacional reagiram duramente, nesta sexta-feira (18), às medidas cautelares aplicadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante coletiva no Senado, senadores classificaram as decisões como “autoritárias”, “arbitrárias” e expressão de um suposto “estado de exceção”.
Entre as restrições impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de utilizar redes sociais e de manter contato com aliados, incluindo o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. Diante disso, parlamentares anunciaram que solicitarão ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), o fim do recesso legislativo. No entanto, em nota oficial, Alcolumbre confirmou que o recesso de julho será mantido, com retorno das atividades somente na semana de 4 de agosto.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que a operação da PF representa “perseguição política explícita” e acusou o Judiciário de violar direitos constitucionais e anular o papel do Congresso. O senador Jorge Seif (PL-SC) reforçou o discurso, apontando uso do Judiciário como “instrumento de repressão” e classificando as medidas como típicas de regimes autoritários.
A oposição também alegou tratamento desigual em comparação a casos anteriores envolvendo políticos de esquerda, como Lula e Dilma, e convocou a população para protestos pacíficos em defesa da liberdade e da democracia.
Já o senador Flávio Bolsonaro declarou que as medidas foram “desnecessárias e covardes”, motivadas por ódio pessoal. Ele comparou a ação à “Inquisição” e afirmou que a data da operação, 18 de julho, “Mandela Day”, seria simbólica para a resistência contra o que chamou de “déspotas”.
Em contrapartida, parlamentares da base do governo e senadores independentes defenderam a atuação das instituições. Humberto Costa (PT-PE) afirmou que Bolsonaro tentava fugir da Justiça e que a operação reforça a reação do Estado contra ataques à democracia. Teresa Leitão (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE) também destacaram o risco de fuga e a gravidade dos indícios apurados.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), por sua vez, pediu confiança nas instituições e no respeito ao devido processo legal, reforçando o princípio da presunção de inocência.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes aponta que Bolsonaro teria utilizado a promessa de encerrar o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil como moeda de troca por uma possível anistia — o que, segundo o STF, caracteriza tentativa de obstrução da Justiça e atentado à soberania nacional.
A operação desta sexta-feira intensifica o embate entre Judiciário e setores bolsonaristas, e reacende a disputa política sobre os rumos da democracia brasileira.
