
Durante visita ao Chile nesta segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou que o Brasil esteja atualmente envolvido em uma “guerra tarifária” com os Estados Unidos. Segundo ele, o embate só terá início caso o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, mantenha a decisão de taxar em 50% todos os produtos brasileiros importados pelos EUA.
“Não estamos numa guerra tarifária. Guerra tarifária vai começar na hora em que eu der a resposta ao Trump se ele não mudar de opinião, afirmou Lula durante evento em Santiago, ao comentar a medida anunciada no último dia 9 por Trump.
O presidente brasileiro criticou o argumento do líder norte-americano, que relacionou a nova política tarifária à condenação de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. “Ninguém pode ameaçar com decisão judicial. Quem sou eu para tomar decisão diante da Suprema Corte?”, comentou Lula, ao destacar que a soberania do Judiciário deve ser respeitada.
Para avaliar possíveis medidas de retaliação, Lula já havia determinado a criação de um comitê interministerial liderado pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. O grupo conta com representantes do setor produtivo e empresários, que, segundo o presidente, também precisam atuar diretamente no diálogo com suas contrapartes americanas.
“Tenho Ministério das Relações Exteriores trabalhando nisso, tenho uma pessoa da qualidade do Alckmin e os empresários, que devem entender que quem vai sofrer com isso são eles mesmos”, pontuou Lula, adotando tom conciliador, mas deixando claro que o governo brasileiro está preparado para reagir, caso a medida norte-americana se mantenha.
