Operação Czar investiga fraude de R$ 117 milhões no setor de bebidas em Pernambuco e outros três estados
Investigação aponta suspeitas de sonegação de impostos, uso de empresas de fachada e movimentações financeiras irregulares; dinheiro, joias e veículos de luxo foram apreendidos.

Uma investigação sobre possíveis crimes tributários no comércio de bebidas levou à realização de uma operação policial em quatro estados brasileiros. Batizada de Operação Czar, a ofensiva busca reunir provas de um esquema que pode ter causado prejuízos superiores a R$ 117 milhões aos cofres públicos de Pernambuco.
Ao todo, foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas investigadas em Pernambuco, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. Durante o cumprimento das determinações judiciais, as equipes apreenderam dinheiro, documentos, joias e veículos de luxo.
As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros relacionados aos investigados.
A apuração teve início em agosto de 2024 e é conduzida no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (Cira-PE). O trabalho envolve a identificação de operações comerciais e movimentações financeiras que, segundo os investigadores, podem ter sido utilizadas para evitar o pagamento de tributos estaduais.
Empresas de fachada e irregularidades no recolhimento de ICMS

A Delegacia de Crimes contra a Ordem Tributária identificou indícios de uma estrutura empresarial que envolveria fabricantes de bebidas, distribuidoras instaladas fora de Pernambuco, estabelecimentos atacadistas e transportadoras.
De acordo com o Cira-PE, o grupo investigado teria realizado operações com mercadorias sem o devido recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Outra prática suspeita seria a utilização de classificações empresariais incompatíveis com as atividades realmente desempenhadas, permitindo a obtenção de benefícios fiscais indevidos.
As investigações também apontaram mudanças frequentes na composição societária das empresas e a possível utilização de pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, para dificultar a identificação dos responsáveis pelas operações.
A movimentação de valores entre empresas e pessoas ligadas ao grupo passou a ser examinada diante de suspeitas de ocultação da origem e do destino dos recursos. Os investigadores buscam esclarecer se essas transações foram utilizadas para dissimular valores relacionados às supostas irregularidades tributárias.

Em Pernambuco, a operação reúne integrantes do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), da Secretaria da Fazenda (Sefaz), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e das polícias Civil e Militar. Nos outros três estados, as diligências contam com o apoio das respectivas forças de segurança.
O Cira-PE programou uma coletiva de imprensa para a manhã desta quinta-feira (15), no Recife, quando deverão ser apresentados novos detalhes sobre a investigação e os resultados da operação. As suspeitas ainda estão sob apuração, e a responsabilidade criminal dos envolvidos depende da conclusão das investigações e dos procedimentos judiciais.




