Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro admitem eleição indefinida e apostam em estratégias diferentes para vencer
Com pesquisas indicando disputa acirrada, aliados dos candidatos divergem sobre o peso da abstenção, dos eleitores de outros partidos e dos ataques políticos na reta final.

A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, as equipes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) reconhecem que a disputa permanece sem um favorito definido. Apesar de interpretarem de maneiras diferentes os resultados das pesquisas divulgadas nesta quarta-feira (21), os dois grupos políticos consideram possível conquistar a Presidência da República no próximo domingo (25).
A principal divergência está na identificação dos eleitores que ainda podem influenciar o resultado. Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro concentram suas expectativas nos votos de quem apoiou outros candidatos no primeiro turno, integrantes da campanha de Lula acreditam que a mobilização dos eleitores ausentes na primeira votação poderá desempenhar um papel decisivo.
No entorno do candidato do PL, predomina a avaliação de que a maior parte do eleitorado já consolidou suas preferências políticas. Por isso, a campanha considera limitada a possibilidade de convencer apoiadores do adversário a mudar de posição nos últimos dias. A abstenção também não é vista por esse grupo como um fator capaz de alterar significativamente o resultado.
Segundo estimativas utilizadas por aliados de Flávio, aproximadamente 60% dos eleitores que escolheram outros presidenciáveis no primeiro turno estariam agora inclinados a votar no candidato do PL. Outros 30% apoiariam Lula, enquanto 10% não participariam da votação. Esses percentuais representam a avaliação apresentada pela campanha, e não um resultado atribuído a uma pesquisa específica.
Aliados de Flávio apontam influência de medidas do governo
A campanha de Flávio Bolsonaro também atribui parte da movimentação eleitoral recente à posição institucional ocupada por Lula. Na avaliação de pessoas próximas ao senador, o presidente teria se beneficiado de medidas administrativas anunciadas ou executadas nos dias anteriores ao segundo turno.
Entre os exemplos mencionados pelos aliados estão o pagamento do reajuste do Bolsa Família e o avanço de investigações envolvendo pessoas relacionadas a Flávio Bolsonaro, incluindo apurações sobre a ligação do senador com o advogado Willer Thomaz.
Essa interpretação, entretanto, corresponde à leitura política feita por integrantes da campanha do PL e não demonstra, por si só, que as medidas governamentais ou as investigações tenham provocado mudanças nas intenções de voto.
Campanha de Lula aposta na rejeição ao adversário
No Partido dos Trabalhadores, a estratégia parte de uma avaliação diferente. Integrantes da campanha presidencial acreditam que a exposição de propostas e posicionamentos de Flávio Bolsonaro contribuiu para aumentar a resistência de determinados segmentos do eleitorado ao candidato.
Entre os assuntos explorados estão a mudança de posicionamento do senador em relação à proposta de emenda à Constituição que trata do fim da escala de trabalho 6×1 e possíveis consequências de seu programa econômico sobre direitos sociais, conforme a interpretação apresentada por aliados de Lula.
Os petistas também destacam os índices de rejeição identificados pela pesquisa Quaest. O levantamento aponta que 52% dos entrevistados rejeitam Flávio Bolsonaro, enquanto 47% manifestam rejeição a Lula.
A diferença é considerada relevante pelos estrategistas do PT, que enxergam espaço para tentar conquistar eleitores resistentes ao candidato do PL. Os números, contudo, não permitem afirmar que a rejeição se converterá automaticamente em votos para o presidente.
Outro ponto considerado importante pela campanha governista é a participação dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Os aliados de Lula avaliam que a mobilização desse público poderá ampliar suas possibilidades eleitorais, juntamente com a tentativa de convencer pessoas que ainda admitem rever o voto.
A estratégia petista também deverá manter críticas ao adversário até domingo, com destaque para as investigações relacionadas a Willer Thomaz, as políticas de transferência de renda e os possíveis cortes de gastos associados ao programa econômico de Flávio, segundo a interpretação de integrantes da campanha.
Embora apresentem diagnósticos distintos, as duas candidaturas chegam aos últimos dias da eleição diante de um cenário semelhante: pesquisas apertadas, elevada fidelidade dos eleitores e incerteza sobre o comportamento de segmentos que ainda podem definir o resultado.
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