
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinais claros de que o debate eleitoral de 2026 já entrou no radar do Palácio do Planalto. Durante um jantar com deputados realizado nesta quarta-feira (4), na Granja do Torto, Lula citou nominalmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível adversário na disputa presidencial, mas ignorou o senador Flávio Bolsonaro, nome apontado pela oposição como pré-candidato.
Diante dos parlamentares, o presidente demonstrou confiança no próprio projeto ao afirmar que ainda não venceu a eleição, mas que pretende sair vitorioso em outubro. Segundo relatos feitos por participantes do encontro, Lula incluiu Tarcísio entre os potenciais concorrentes mesmo com o governador paulista reiterando publicamente que pretende disputar a reeleição no estado.
Além de Tarcísio, o presidente mencionou outros governadores como possíveis nomes no páreo nacional: Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. A estratégia, segundo aliados, é comparar indicadores e resultados dos governos federais petistas com as gestões estaduais comandadas por esses líderes.
Chamou atenção entre deputados, especialmente do Centrão, o fato de Lula não ter citado Flávio Bolsonaro, apontado como o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A ausência ocorre em um momento de crescimento do senador nas pesquisas. Levantamento do instituto Meio/Ideia, divulgado no início de fevereiro de 2026, mostra empate técnico em um eventual segundo turno, com Lula numericamente à frente. Resultado semelhante aparece em pesquisa do Paraná Pesquisas, que também indica disputa equilibrada entre os dois.
No mesmo jantar, Lula fez gestos de aproximação com a Câmara dos Deputados e elogiou a condução do presidente da Casa, Hugo Motta. O movimento é interpretado como parte do esforço do governo para estabilizar a relação com o Congresso enquanto estrutura sua estratégia eleitoral.
O presidente também sinalizou que pretende ampliar o diálogo com o Senado, prevendo um encontro após o Carnaval com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e líderes partidários.
Nos bastidores, a leitura é de que o jantar marcou mais do que uma confraternização. Para aliados, o encontro inaugura uma fase em que Lula passa a tratar a disputa presidencial de forma mais explícita, antecipando adversários, narrativas e comparações que devem pautar seus discursos e articulações políticas nos próximos meses.
