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Economia

Juros futuros despencam após primeiro turno e mercado reage à liderança de Flávio Bolsonaro

Contratos de DI registraram forte queda nesta segunda-feira (5), enquanto investidores repercutiram o resultado da eleição presidencial e passaram a projetar mudanças na condução fiscal do país

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (5). Além da valorização das ações, os contratos de juros futuros recuaram de maneira generalizada, movimento associado à avaliação dos investidores sobre o novo cenário para o segundo turno.

A reação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar a primeira etapa da disputa presidencial na liderança, com 47% dos votos válidos, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). O desempenho contrariou a tendência apontada por boa parte das pesquisas eleitorais antes da votação.

No mercado de juros, nove dos 11 contratos negociados apresentavam queda por volta das 10h15. Os movimentos mais expressivos estavam concentrados nos vencimentos de prazo mais longo, mostrando uma mudança relevante nas expectativas dos investidores.

O contrato com vencimento em abril de 2028 registrava queda de 6,10%, levando a taxa projetada para 12,69%. Para janeiro de 2029, a redução chegava a 6,28%, com os juros futuros negociados em torno de 12,83%.

Entre os contratos destacados pelo mercado, a queda alcançava 6,50%, com projeção de juros de 13,17%. Na direção contrária, apenas dois vencimentos apresentavam alta durante a manhã. O contrato para janeiro do ano seguinte avançava 0,63%, alcançando 13,53%.

A leitura dos investidores vai além do resultado eleitoral imediato. O mercado passou a considerar com maior peso a possibilidade de uma mudança na política econômica a partir de 2027, especialmente na condução das contas públicas e no controle do crescimento da dívida.

A situação fiscal brasileira tornou-se um dos pontos centrais dessa avaliação. Durante o terceiro mandato de Lula, a dívida bruta passou de aproximadamente 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB), ampliando as preocupações dos agentes financeiros com a trajetória das despesas públicas.

A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, nesse contexto, foi interpretada por parte do mercado como uma perspectiva de maior compromisso com ajuste fiscal. Essa expectativa ajudou a derrubar as taxas futuras e também contribuiu para o clima de forte valorização observado em outros ativos brasileiros.

Com Lula e Flávio Bolsonaro classificados para o segundo turno, o comportamento do mercado nas próximas semanas deverá permanecer diretamente ligado às sinalizações econômicas dos candidatos e às expectativas sobre quem comandará o país a partir do próximo ano.

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