Frente Popular denuncia suspeitas de compra de votos e irregularidades eleitorais em mais de 20 cidades de Pernambuco
Coligação afirma ter reunido denúncias em diferentes regiões do estado e cita casos em Camaragibe e Arcoverde; acusações estão sendo encaminhadas à Justiça Eleitoral

A Frente Popular de Pernambuco informou neste domingo (4) ter reunido denúncias de possíveis crimes eleitorais em mais de 20 municípios durante o primeiro turno das Eleições 2026. Entre as suspeitas apresentadas pela coligação estão compra de votos, distribuição irregular de material de campanha e boca de urna.
Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, aparece entre os municípios citados. Segundo a Frente Popular, vídeos e áudios compartilhados por aplicativos de mensagens fariam referência à candidatura de Raquel Lyra (PSD) ao Governo de Pernambuco e indicariam a suposta oferta de R$ 100, além da utilização de camisas roxas. As alegações são da coligação e dependem de apuração pelas autoridades eleitorais.
Outro foco das denúncias é Arcoverde, no Sertão. A Frente Popular afirma ter recebido imagens de distribuição de camisas roxas e informou que uma pessoa foi detida sob suspeita de praticar boca de urna no município. As circunstâncias e eventuais responsabilidades ainda precisam ser estabelecidas pelas autoridades competentes.
A coligação também levou à Justiça questionamentos sobre a atuação das forças de segurança durante o período eleitoral. A Frente Popular afirma que militantes identificados por camisas amarelas e vermelhas, cores relacionadas às campanhas de João Campos (PSB) e Lula (PT), teriam sido alvo de abordagens policiais no Recife.
A controvérsia envolve ainda a chamada “Operação Saturação”. A Justiça Eleitoral determinou a suspensão da operação após pedido da Frente Popular. O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, confirmou neste domingo que a SDS e a Polícia Militar foram notificadas da decisão na noite de sábado (3), mas contestou a interpretação de que o planejamento previa bloqueios capazes de dificultar o acesso de eleitores aos locais de votação.
Em outra decisão divulgada neste domingo, o TRE-PE determinou a retirada de uma publicação que associava diretamente o governo de Raquel Lyra à suposta operação. Segundo a decisão, o documento usado na postagem não mencionava a candidata nem previa blitzes, bloqueios ou restrições à circulação de eleitores.
As denúncias apresentadas pela Frente Popular seguem sob análise da Justiça Eleitoral. Até que haja conclusão das apurações, as referências a compra de votos, favorecimento de candidaturas ou atuação irregular das forças policiais permanecem como acusações apresentadas pela coligação, sem definição de responsabilidade.



