
A freira gaúcha Inah Canabarro Lucas, de 116 anos, foi oficialmente reconhecida como a pessoa mais velha do mundo após a morte da japonesa Tomiko Itooka, no final de 2024. Entretanto, no interior do Rio de Janeiro, a família de Deolira Glicéria Pedro da Silva, moradora de Itaperuna, reivindica o título para a idosa, que completará 120 anos no dia 10 de março, conforme consta em sua certidão de nascimento e carteira de identidade.
Apesar de impressionante, a idade de dona Deolira ainda não foi validada oficialmente pelo Guinness World Records, que exige documentação rigorosa para reconhecimento. Segundo o médico geriatra Juair de Abreu Pereira, que acompanha a idosa, o principal entrave é a perda dos documentos originais durante uma enchente em 2007. Apesar de já ter obtido segundas vias de alguns documentos, como a certidão de nascimento, ele enfrenta dificuldades em conseguir registros eclesiásticos necessários para comprovar a longevidade.
— O Guinness pede outros documentos (para confrontar), como certidão de casamento. Estamos buscando junto ao INSS mais informações para comprovar a idade de dona Deolira — explicou o médico.
A família também tentou localizar documentos em paróquias da região, incluindo em Natividade e Tombos, mas sem sucesso. Agora, seguem na busca por registros que ajudem a validar o recorde.
Reconhecimento oficial e pesquisa sobre longevidade
Para figurar no Guinness, é preciso realizar uma inscrição no site oficial e apresentar provas detalhadas da conquista. No caso de Inah Canabarro Lucas, o reconhecimento veio com a validação de pesquisadores da LongeviQuest, um grupo especializado em supercentenários.
Além de carregar o título de pessoa mais velha do mundo, Inah e dona Deolira participam de um estudo do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP. A pesquisa, financiada pela Fapesp, busca entender os fatores genéticos e ambientais que permitem a essas pessoas superarem a barreira dos 100 anos com saúde.
120 anos: festa à vista em Itaperuna
Enquanto o reconhecimento oficial de dona Deolira segue pendente, a família já planeja uma grande festa para comemorar os 120 anos da matriarca. Nascida em 1905, na cidade de Porciúncula, ela está prestes a se tornar bisavó pela quinta geração, com o nascimento do bebê de uma de suas tataranetas.
Dona Deolira continua ativa, e, segundo o médico, sua saúde é um reflexo de uma vida equilibrada e tranquila. A celebração, marcada para março, promete reunir parentes e amigos em Itaperuna para homenagear a idosa, cuja longevidade é motivo de orgulho para todos.
Enquanto isso, o Brasil segue ganhando destaque como um dos países com maior número de supercentenários, comprovando que a qualidade de vida e os avanços na saúde têm permitido que mais pessoas alcancem idades impressionantes.
