
Eu tenho dito, e repito com ainda mais convicção: derrotar Raquel Lyra não será tarefa simples. No xadrez político de Pernambuco, a governadora vem movimentando suas peças com precisão e estratégia. Se de um lado temos João Campos, jovem, carismático, com domínio absoluto das redes sociais e uma gestão bem avaliada na capital, do outro, está Raquel, com a caneta na mão, um orçamento bilionário, e a vantagem de estar presente nos bastidores e nos bastiões do interior.
João governa Recife, e isso por si só já é muita coisa. A cidade é vitrine, é termômetro, é trampolim. Mas há uma diferença gritante entre aplausos digitais e apoio real. Na bolha das redes, João voa alto, embala multidões virtuais. Mas a política se decide é no aperto de mão, no olho no olho, na conversa com quem acorda cedo para pegar ônibus e não tem tempo para Twitter.
Raquel, nesse campo, tem se mostrado mais presente. Desceu do pedestal, tirou as barreiras do cerimonial, deixou o povo chegar. Rindo de verdade, olhando nos olhos, tem caminhado por Pernambuco com a leveza de quem sabe que está entregando. E tem entregado muito.
Seu governo já tirou 700 palafitas de áreas de risco e garantiu novas moradias para essas famílias. Investiu pesado com o programa Algo nos Morros, destinando R$ 6 bilhões para transformar realidades nas encostas. Criou o Reforma do Lar, com até R$ 18 mil por família para requalificar suas casas. Inaugurou 180 cozinhas comunitárias, ampliou o suporte social com o programa Mães de Pernambuco, que garante R$ 300 mensais para 100 mil mulheres chefes de família. Está construindo 250 creches, que juntas ofertarão 60 mil vagas, além de anunciar cinco grandes maternidades em diferentes regiões do estado.
Na área de infraestrutura, são mais de R$ 2,1 bilhões aplicados na recuperação e construção de estradas estaduais. E o investimento não para por aí: ônibus escolares foram entregues, concursos públicos lançados, aprovados convocados, viaturas adquiridas para reforçar a segurança com mais unidades para a Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e SAMU.
Enquanto João tenta costurar alianças no sertão ao lado de Miguel Coelho, Raquel já fincou os pés por lá com ações concretas. Está presente com obras, com gente, com soluções. E mais: tem ao seu lado prefeitos, vereadores, lideranças de base — aqueles que conhecem os problemas de perto e falam a língua do povo.
Dizem que Raquel só venceu pela comoção da tragédia pessoal. Mas quem estava em Serra Talhada, no encontro da UVP, antes mesmo da eleição, viu uma governadora sendo aplaudida de pé. A comoção talvez tenha dado um empurrão, mas o que a sustenta hoje é trabalho, entrega e presença.

A disputa está só começando, e será, sim, entre um homem que domina as câmeras e uma mulher que domina o território. Um duelo real entre a imagem e a entrega. E, até aqui, Raquel tem mostrado que cresce não só nas pesquisas, mas também nas ruas, nas obras, nas vidas que ela já começou a transformar.
Clebson Amsterdan dos Santos é mais conhecido por Clebson Amsterdan. Nasceu em Gravatá, Pernambuco no Bairro Novo, periferia da cidade, em nove de setembro de 1985. Estudou Jornalismo na Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP, em Caruaru, PE.
