
O presidente da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), Léo do Ar (PP), usou o Seminário de Mesas Diretoras para deixar um recado claro, ainda que envolto em metáforas e indiretas: prefeito tem que respeitar vereador. Durante os dois dias do evento, o parlamentar disparou críticas que revelaram um incômodo latente, algo que parece estar fermentando no cenário político local. Suas palavras, embora não totalmente explícitas, ecoaram como um alerta sobre a relação, muitas vezes tensa, entre os poderes Executivo e Legislativo.
A fala mais contundente de Léo do Ar ocorreu após um questionamento de um colega parlamentar, que levantou a possibilidade de mal-estar entre o prefeito de Gravatá e o presidente da Câmara Municipal, diante de uma declaração anterior do líder da UVP. Léo do Ar havia dito, em tom provocativo, que “prefeito não gosta de vereador, mas tolera os vereadores“[generalizando]. A resposta que se seguiu foi uma defesa firme do papel dos vereadores e uma crítica velada ao desrespeito que, segundo ele, muitos prefeitos demonstram em relação aos parlamentares.
“Hoje, eu sou base para ajudar o governo a governar, a gente não é base para ser cabeça de lagartixa para prefeito. Não! Na Câmara de Gravatá, nós somos base, viu? Temos a maioria! Não sei se vai durar um mês ou quinze dias, não sei. Mas, a gente tem uma maioria ali. Quando a gente pega na plenária, é diferente. E depois o secretário liga e manda respeitar a gente e resolve o problema que é do povo. Quando estamos na porta do secretário ou do prefeito, não é para pedir para particular para a gente não, é para pedir para o povo“, afirmou Léo do Ar, em tom firme e assertivo.
A fala do presidente da UVP não foi apenas uma resposta pontual, mas sim um discurso que parece ter sido cuidadosamente preparado. Suas palavras soaram como um manifesto em defesa do papel dos vereadores, muitas vezes subestimados ou tratados como meros coadjuvantes no cenário político. Léo do Ar deixou claro que os vereadores não estão ali para servir de “cabeça de lagartixa” – expressão popular que denota subserviência –, mas para representar o povo e garantir que as demandas da população sejam atendidas.
O recado de Léo do Ar vai além de uma simples crítica. Ele reflete uma insatisfação que parece ser compartilhada por muitos vereadores, que se sentem desrespeitados ou ignorados pelos prefeitos. A relação entre os poderes Executivo e Legislativo é, por natureza, complexa e cheia de tensões. No entanto, o respeito mútuo e o diálogo são fundamentais para o bom funcionamento da democracia. Quando um vereador é desrespeitado, é o povo que acaba sendo prejudicado, já que suas demandas podem ficar em segundo plano diante de disputas políticas.
A fala de Léo do Ar também serve como um alerta para os prefeitos: a base aliada não é um mero instrumento de apoio, mas uma força política que deve ser respeitada e valorizada. A maioria na Câmara, como ele mesmo destacou, é uma conquista que pode ser passageira, e a falta de diálogo ou o desrespeito podem minar essa aliança.
Enquanto observamos os desdobramentos dessa situação, fica claro que Léo do Ar não está disposto a se calar diante de possíveis abusos ou desrespeitos. Sua postura firme e suas palavras incisivas mostram que ele está atento aos movimentos políticos e disposto a defender o papel dos vereadores. Este site continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa história, porque, no fim das contas, quem ganha ou perde com essas disputas é o povo. Fiquemos de olho.
