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Opinião

Como já havíamos previsto, Eduardo da Fonte entra em campo e o jogo eleitoral muda

Reprodução/divulgação

Na política, existem personagens que fazem discursos. Outros fazem barulho. E existem aqueles que movem as engrenagens sem precisar levantar a voz. Em Pernambuco, poucos se encaixam tão bem nessa última definição quanto Eduardo da Fonte.

Lá atrás, quando ainda se discutiam alianças, fusões partidárias e cenários para 2026, havia quem tratasse o assunto como mera especulação. Mas bastava observar o tabuleiro com um pouco mais de atenção para perceber que o presidente dos Progressistas — agora integrante da União Progressista após a fusão com o União Brasil — ocupava uma posição estratégica rara na política estadual.

Não era preciso bola de cristal (Leia reportagem aqui). Os números já contavam a história. Eduardo da Fonte construiu ao longo dos anos uma das estruturas partidárias mais robustas de Pernambuco. Reuniu deputados estaduais, federais e lideranças espalhadas por diversas regiões do estado. Mais do que quantidade, acumulou capital eleitoral. Basta olhar para os resultados das urnas de 2022. Somados, Eduardo da Fonte, seu filho Lula da Fonte e a deputada federal Clarissa Tércio alcançaram uma votação próxima de um milhão de votos. Em qualquer disputa equilibrada, esse é um patrimônio político capaz de alterar rumos.

E foi exatamente aí que a engrenagem começou a se mover. Quando a União Progressista oficializou apoio à governadora Raquel Lyra, o gesto foi além de uma simples aliança partidária. A decisão levou estrutura, militância, prefeitos, vereadores e uma rede política consolidada para dentro do projeto de reeleição da governadora.

Os efeitos começam a aparecer nas pesquisas:

O levantamento Datafolha registrado sob o protocolo 07888/2026 mostra Raquel Lyra com 48% das intenções de voto no primeiro turno, contra 43% de João Campos. No cenário de segundo turno, a vantagem permanece: 51% para a governadora e 44% para o ex-prefeito do Recife.

Mais interessante do que a diferença entre os candidatos é observar o comportamento do eleitorado. Os índices de votos brancos, nulos e indecisos aparecem reduzidos, indicando que boa parte dos pernambucanos já formou opinião sobre a disputa. O espaço para grandes mudanças existe, mas parece cada vez menor.

Naturalmente, uma eleição não se vence apenas com alianças. Ainda haverá debates, propaganda eleitoral, mobilização nas ruas e os inevitáveis acontecimentos que costumam surgir durante uma campanha. Mas também seria difícil ignorar o peso de uma estrutura partidária quando ela decide caminhar em uma única direção.

Raquel Lyra ampliou seu capital político ao longo dos últimos meses. Esse crescimento possui diversas explicações, mas entre elas está a força eleitoral agregada pela União Progressista. Afinal, na política, votos continuam sendo a moeda mais valiosa. E poucos grupos em Pernambuco acumulam tantos quanto o liderado por Eduardo da Fonte.

No fim das contas, talvez a grande lição seja simples: algumas eleições são decididas nos palanques. Outras começam a ser definidas muito antes, nos bastidores. E quem soube observar o movimento das peças desde cedo dificilmente se surpreende quando o resultado das pesquisas confirma aquilo que o tabuleiro já indicava.

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