
A Compesa iniciou obras emergenciais para minimizar os impactos da escassez de chuvas e garantir o abastecimento de água em Pernambuco. A interligação da Adutora do Agreste ao Sistema Jucazinho, em Caruaru, é a principal medida para enfrentar o pré-colapso da barragem de Jucazinho, que opera com apenas 5,76% de sua capacidade.
A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) está implementando ações urgentes para enfrentar a crise hídrica que atinge Pernambuco. A barragem de Jucazinho, localizada em Surubim, está em situação crítica, com apenas 5,76% de sua capacidade, o menor nível desde 2020. Para evitar o colapso do sistema que abastece 13 cidades, a Compesa está interligando a Adutora do Agreste ao Sistema Jucazinho, permitindo o transporte de 400 litros de água por segundo do Rio São Francisco para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Salgado, em Caruaru.
Essa iniciativa assegurará o abastecimento de água para 850 mil pessoas, incluindo moradores de Caruaru e cidades como Surubim, Toritama, Passira e Bezerros. A obra, que recebe um investimento de R$ 4,4 milhões, permitirá que a Compesa preserve o volume restante de Jucazinho até o próximo período chuvoso, reduzindo o risco de desabastecimento total.
Além disso, em Caruaru, a Compesa está implantando uma nova adutora de três quilômetros, conectando a ETA Petrópolis ao reservatório Santa Rosa. Essa estrutura atenderá bairros como Santa Rosa, Vassoural, Indianópolis e Inocoop, que antes dependiam diretamente do Sistema Jucazinho.
Crise hídrica se agrava em Pernambuco
As previsões climáticas para o início de 2025 são desanimadoras, indicando chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas que o histórico. Atualmente, 12 mananciais estão em colapso total, enquanto outros 29 estão em estado de alerta. Em 15 municípios, o calendário de abastecimento foi ampliado, enquanto 51 cidades podem ter cronogramas alterados já em fevereiro, dependendo das condições climáticas.
A barragem de Jucazinho, que não verte há quase 15 anos, enfrenta um cenário preocupante. Com capacidade de armazenar cerca de 200 milhões de metros cúbicos de água, ela se encontra em seu nível mais baixo dos últimos anos.
Obras estruturadoras para o futuro
Segundo o presidente da Compesa, Alex Campos, as intervenções emergenciais fazem parte de uma estratégia maior para garantir a flexibilidade do abastecimento de água na região, não apenas no atual período de escassez, mas como uma medida preventiva para crises futuras.
“Essas obras estruturantes fortalecerão o sistema de produção e distribuição de água, assegurando melhores condições de abastecimento em Pernambuco. Estamos trabalhando para mitigar os impactos da crise hídrica atual e preparar a região para novos desafios climáticos”, afirmou Campos.
Com as obras em andamento e o alerta máximo nas previsões climáticas, Pernambuco enfrenta um dos períodos mais desafiadores em termos de gestão hídrica, reforçando a importância de ações rápidas e estratégicas para garantir o abastecimento da população.
