
O Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) do Cabo de Santo Agostinho, localizado na Região Metropolitana do Recife, será desativado até o final deste ano, conforme anúncio feito nesta quarta-feira (28) pela diretora-presidente da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), Raissa Braga. A decisão foi tomada em resposta ao histórico de superlotação, rebeliões e episódios de extrema violência, além de recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“É o maior marco da nossa gestão. Quando estávamos estudando o reordenamento das unidades socioeducativas, decidi que a unidade do Cabo seria a primeira a ser desativada pelo histórico que ela tem. Há também recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que isso ocorra”, declarou Raissa.
O Case do Cabo, que atualmente abriga 60 socioeducandos, mesmo número de sua capacidade máxima, chegou a ter quase 400 jovens na década passada, o que levou a um cenário de descontrole e violência dentro da unidade. Apenas os internos maiores de 18 anos permanecerão no local para concluir suas medidas socioeducativas, enquanto os demais serão gradualmente transferidos para outros centros da Funase.
As transferências dos socioeducandos estão sendo coordenadas em colaboração com o Judiciário, que, segundo Raissa Braga, está atuando com zelo no processo de redistribuição dos jovens para garantir a continuidade da socioeducação.
O Case do Cabo de Santo Agostinho tornou-se notório após uma série de incidentes violentos, o mais chocante deles ocorrido na noite de 10 de janeiro de 2012, quando três adolescentes foram brutalmente assassinados durante uma rebelião. Dois dos jovens tiveram seus corpos carbonizados, enquanto o terceiro foi morto por asfixia e decapitado. Na época, a unidade, com capacidade para 166 socioeducandos, abrigava 368, uma situação que evidenciou a grave superlotação e a falta de controle por parte do Estado.
A desativação da unidade é vista como uma medida necessária para reestruturar o sistema socioeducativo e evitar que episódios trágicos como os que marcaram o Case do Cabo voltem a ocorrer.
