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Recife

Após 11 anos, Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips no litoral

Depois de mais de uma década sem atividades, Pernambuco voltará a monitorar tubarões por meio de microchips instalados nos animais. A iniciativa será conduzida por pesquisadores do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre o comportamento das espécies que circulam pelo litoral do estado.

A retomada ocorre em um momento de preocupação após dois incidentes envolvendo tubarões serem registrados em menos de 48 horas no Grande Recife. As vítimas, uma criança de 11 anos e uma jovem de 19 anos, seguem internadas no Hospital da Restauração.

O novo ciclo do projeto prevê o rastreamento de 60 tubarões durante dois anos. Para isso, serão investidos R$ 1,052 milhão, valor inferior ao aplicado na década passada, quando o monitoramento recebia cerca de R$ 1 milhão por ano.

Os pesquisadores vão implantar transmissores eletrônicos nos animais, permitindo acompanhar seus deslocamentos e hábitos ao longo da costa pernambucana. A expectativa é obter informações importantes sobre períodos de maior aproximação dos tubarões da faixa litorânea, horários de atividade e influência de fatores ambientais, como maré e temperatura da água.

Além dos microchips, os animais receberão uma identificação externa em plástico para facilitar o reconhecimento durante futuras capturas e observações.

O sistema contará ainda com 15 receptores instalados em áreas consideradas estratégicas, especialmente nas praias que registram maior histórico de incidentes, como Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

Segundo os responsáveis pelo estudo, o monitoramento também servirá como base para campanhas educativas e ações de prevenção voltadas à população. A ideia é transformar os dados científicos em orientações práticas para tornar o uso das praias mais seguro.

Os pesquisadores destacam que o longo período sem monitoramento criou uma lacuna de informações sobre a presença e os deslocamentos dos tubarões na região. Com a retomada das expedições, prevista para julho, será possível atualizar o conhecimento sobre as espécies que frequentam o litoral pernambucano e aperfeiçoar as estratégias de convivência entre banhistas e animais marinhos.

O procedimento de implantação dos transmissores é considerado rápido e pouco invasivo. Cada tubarão permanece poucos minutos fora da água antes de ser devolvido ao mar, onde continua sendo acompanhado pelos equipamentos de rastreamento.

A expectativa é que os resultados produzidos pelo projeto ajudem a orientar futuras políticas públicas de segurança costeira e preservação ambiental no estado.

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