Você não é dono da sua rede social; e talvez ainda não tenha percebido isso
Milhões de pessoas investem tempo, dinheiro e reputação em plataformas que podem limitar seu alcance ou suspender suas contas a qualquer momento.

Muitas pessoas estão reclamando que estão tendo suas contas suspensas do Instagram nos últimos meses, mas é importante lembrar que o seu perfil no Instagram, Facebook ou WhatsApp não é seu, mas um espaço cedido por essas marcas a partir de condições que podem mudar a qualquer momento. Por causa dessas mudanças nas diretrizes, muitos perfis estão sendo removidos, alguns de forma permanente.
Quem sobrevive exclusivamente das redes sociais, como influenciadores, lojas e outros tipos de negócios, precisa ficar atento. Muita gente tem a falsa sensação de que é dona de sua rede social e constrói toda uma vida digital, sem saber que, a qualquer momento, tudo isso pode acabar por uma decisão de um algoritmo. Muitos brasileiros investem muito tempo, dinheiro e reputação nas redes sociais, mas poucos estão pensando sobre quem realmente controla suas contas, seus seguidores e quem alcança seus conteúdos. E, se você parar para pensar, você não controla nada, absolutamente nada. Você apenas cria conteúdo, envia para o feed, status, Reels ou timeline e, no final, quem decide como aquilo vai chegar e para quem vai chegar nunca é você, mas a própria plataforma.
Muitos têm a ilusão da propriedade digital. Diferentemente do direito sobre o conteúdo postado, tudo o que você faz depende das regras da plataforma. E fica uma pergunta: seus seguidores são realmente seus? Não adianta ter milhares de seguidores e não conseguir alcançá-los! Se um influenciador tem 100 mil seguidores, não necessariamente ele vai atingir os 100 mil em uma publicação. Muitos disputam espaço todos os dias com os algoritmos, que influenciam a entrega do conteúdo.
Algumas publicações sem pé nem cabeça alcançam mais visualizações do que uma publicação feita com profissionalismo e planejamento. O erro está nas empresas, nos profissionais e nos influenciadores que produzem conteúdo e que, ao terem suas contas derrubadas, sofrem prejuízos financeiros, perdas de contratos e até dificuldades para recuperar o acesso, sendo necessário, em alguns casos, ingressar na Justiça.
No final, você trabalha e quem lucra é a plataforma. Em alguns casos, as próprias pessoas são responsáveis pela perda do perfil. E aqui o foco não é discutir a política de uso das plataformas, mas o quanto as pessoas são reféns das redes sociais e estão deixando de investir em outros meios.
É certo que todo mundo vive com um telefone celular na mão: em casa, no trabalho, no carro, no ônibus, caminhando pela rua, no metrô e até dentro de um avião a 900 km/h.
É arriscado uma empresa depender exclusivamente das redes sociais para captar clientes, vender e se comunicar com eles. É preciso manter canais próprios de atendimento, venda e relacionamento com os clientes. As empresas precisam investir mais em sites, domínios próprios e listas de contatos, o que diminui a dependência das redes sociais. Mesmo que esses canais também precisem seguir regras, eles oferecem mais autonomia.
Afinal, quem controla quem? Tem gente que não dorme sem antes olhar o que está nas redes sociais.
Se amanhã sua conta no Instagram cair, o que restará de tudo o que você construiu? De que adianta ter muitos seguidores se a plataforma limita a distribuição de suas publicações? Você publica o que realmente gosta ou aquilo de que o algoritmo gosta e entrega? Você está usando as redes sociais ou permitindo que elas determinem a forma como você vive?
Se você leu até aqui, você é um ser pensante.
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