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Vai ter terceiro turno? Especialistas descartam anulação das eleições após derrota de Flávio Bolsonaro

Senador do PL contesta resultado da eleição presidencial e promete recorrer à Justiça, mas juristas afirmam que não há fundamentos suficientes para invalidar a vitória de Lula.

A possibilidade de um terceiro turno nas eleições presidenciais de 2026 foi descartada por especialistas em Direito Constitucional e Eleitoral ouvidos pela Rádio Nacional. A discussão surgiu depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, anunciou que pretende pedir a anulação do segundo turno, vencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O questionamento do candidato está relacionado à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ampliar em duas horas o período de votação. A medida considerou solicitações apresentadas tanto pela campanha de Lula quanto pelo próprio Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro.

Para o advogado Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral, qualquer candidato pode recorrer à Justiça caso considere que sofreu algum prejuízo. Entretanto, ele avalia que os argumentos apresentados por Flávio não oferecem sustentação jurídica para invalidar o resultado das urnas.

Segundo Rollo, a apresentação de um pedido judicial não significa que exista fundamento para sua aprovação. O especialista considera que uma eventual ação deverá ser rejeitada diante da ausência de elementos capazes de justificar a anulação da eleição.

Diferença superior a quatro milhões de votos é destacada por especialista

A advogada e professora de Direito Constitucional Damaris Medina também considera improvável que a contestação provoque qualquer alteração no resultado eleitoral.

Na avaliação da jurista, a diferença superior a quatro milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro enfraquece o argumento de que a prorrogação do horário de votação teria modificado o desfecho da disputa.

Damaris observa que uma margem eleitoral extremamente reduzida poderia motivar discussões mais aprofundadas sobre eventuais efeitos da decisão. Entretanto, diante dos números apresentados, ela não identifica elementos que sustentem a hipótese de interferência determinante no resultado.

A professora também recordou que questionamentos feitos por candidatos derrotados não são inéditos na política brasileira. Ela mencionou a contestação apresentada por Aécio Neves após a vitória de Dilma Rousseff, em 2014, como um dos episódios que marcaram esse tipo de reação.

TSE afirma que segurança da eleição foi preservada

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, declarou que a ampliação do período de votação não comprometeu a segurança do processo eleitoral.

A manifestação ocorre em meio às críticas de Flávio Bolsonaro, que afirmou não reconhecer o resultado e anunciou a intenção de buscar sua anulação pelos meios judiciais.

Alberto Rollo também demonstrou preocupação com os possíveis efeitos sociais da contestação. Para o advogado, o prolongamento das disputas políticas após a divulgação dos resultados pode dificultar a redução das tensões no país.

O especialista avalia que a reação de Flávio Bolsonaro também pode estar relacionada à necessidade de prestar esclarecimentos aos eleitores e apoiadores que participaram de sua campanha.

Apesar das declarações do senador, os juristas consultados pela Rádio Nacional não identificam, nos argumentos apresentados, fundamentos suficientes para justificar uma nova votação presidencial.

A legislação eleitoral brasileira não prevê um terceiro turno como etapa ordinária da eleição presidencial. Uma eventual nova votação dependeria de uma decisão judicial fundamentada que determinasse a realização de outro pleito, situação diferente de simplesmente não reconhecer o resultado anunciado.

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