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Vacina BCG demonstra potencial para influenciar mecanismos ligados ao Alzheimer, aponta estudo

Uma pesquisa conduzida por cientistas do Mass General Brigham, instituição vinculada à Harvard Medical School, identificou indícios de que a vacina BCG, tradicionalmente utilizada na prevenção da tuberculose, pode exercer efeitos sobre mecanismos biológicos relacionados ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Os resultados foram publicados na revista científica Communications Medicine.

O estudo acompanhou, durante 12 meses, 23 voluntários com 55 anos ou mais. Desse grupo, 12 não apresentavam sinais da doença por meio de biomarcadores, enquanto 11 já tinham evidências da patologia. Ao longo do período, os pesquisadores coletaram amostras de sangue e de líquido cefalorraquidiano para avaliar alterações no sistema imunológico após a vacinação.

Entre os participantes sem indícios de Alzheimer, a equipe observou um aumento da capacidade de resposta das células de defesa que atuam ao redor do cérebro. Além disso, houve mudanças nos níveis de beta-amiloide, proteína considerada um dos principais biomarcadores da enfermidade. Nesse grupo, a concentração da proteína diminuiu no líquido cefalorraquidiano e aumentou na corrente sanguínea, o que pode indicar alterações no processamento dessas substâncias pelo organismo.

Já entre os voluntários que apresentavam biomarcadores compatíveis com Alzheimer, os pesquisadores não verificaram mudanças significativas. Segundo os autores, esse resultado sugere que a eficácia da estratégia pode depender do estágio em que a doença se encontra, levantando a hipótese de que a imunização tenha maior impacto antes do surgimento dos processos neurodegenerativos.

Outro achado considerado relevante foi o fortalecimento da resposta imunológica diante de diferentes desafios, sem que isso provocasse aumento de marcadores inflamatórios. Como a inflamação é reconhecida como um fator associado à progressão de doenças neurodegenerativas, os pesquisadores destacam que esse equilíbrio merece investigação em estudos futuros.

De acordo com Steven Arnold, diretor administrativo do Interdisciplinary Brain Center do Mass General Brigham Neuroscience Institute e autor sênior da pesquisa, os resultados reforçam a possibilidade de uma interação mais ampla entre o sistema imunológico e o cérebro. A expectativa da equipe é ampliar as investigações por meio de estudos maiores, controlados por placebo, para verificar se a vacina pode contribuir na prevenção do Alzheimer antes do aparecimento dos sintomas.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que os dados ainda são preliminares. O trabalho avaliou uma estratégia específica de vacinação em idosos e não investigou os efeitos da aplicação da BCG na infância, como ocorre rotineiramente no Brasil. Por isso, os autores afirmam que ainda não é possível estabelecer conclusões sobre o uso da vacina como medida preventiva contra a doença de Alzheimer.

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