
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Bom Conselho, no Agreste de Pernambuco, foi inaugurada em dezembro de 2024, mas permanece inoperante devido à ausência de conclusão da obra. De acordo com o Ministério da Saúde, o prédio não cumpre os requisitos básicos para funcionamento e está, desde fevereiro de 2024, em processo oficial de cancelamento no Sistema de Monitoramento de Obras (SISMOB).
Apesar de inaugurada às vésperas da troca de gestão municipal, a unidade apresenta sérios problemas físicos e estruturais. Entre as falhas identificadas estão infiltrações, vazamentos, pias e camas hospitalares enferrujadas, sistema de incêndio inativo, ausência de alvará da vigilância sanitária e laudos dos Bombeiros, além de disjuntores despadronizados, portas sem trancas e equipamentos mal instalados.
A transferência do atendimento de emergência para a UPA foi suspensa pela nova gestão. Segundo o atual secretário de Saúde, José Zenício, a mudança foi equivocada, já que a unidade sequer é reconhecida oficialmente pelo Ministério da Saúde. Ele afirma que a prioridade agora é a regularização da situação.
Relatórios técnicos da Secretaria de Infraestrutura do município, elaborados em janeiro de 2025, apontam incompatibilidades na execução da obra e violação de normas sanitárias como a RDC 50/2002 e a RDC 63/2011 da ANVISA. Tomadas sem tampa, banheiros sem exaustão, piso com restos de obra e uma sala destinada a expurgo sendo usada como depósito de medicamentos foram algumas das irregularidades constatadas.

Enquanto a UPA permanece interditada, os atendimentos de emergência voltaram a ser realizados no Hospital Monsenhor Alfredo Dâmaso, que passou por reformas estruturais. A nova administração também implantou um ambulatório de especialidades com 13 áreas e reforçou o quadro médico com três plantonistas diários.
A atual gestão afirma estar em diálogo com o Ministério da Saúde para tentar reverter o processo de cancelamento da UPA e garantir sua futura reabertura dentro dos padrões exigidos.
