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TSE nega ordem para derrubar canais de WhatsApp e cobra tratamento igualitário nas eleições

Esclarecimento ocorre após preocupação da campanha de Lula com possível suspensão de canal de mobilização. Justiça Eleitoral também exige informações das plataformas digitais sobre conteúdos políticos.

Foto: Dimitri Karastelev

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu, nesta sexta-feira (23), que não existe determinação judicial para a retirada de canais do WhatsApp do ar. O posicionamento foi divulgado em meio a questionamentos sobre possíveis restrições a ferramentas de comunicação utilizadas pelas campanhas presidenciais na reta final das eleições de 2026.

Além de afastar a existência de uma nova ordem de suspensão, a Corte Eleitoral reforçou a necessidade de tratamento igualitário entre os candidatos que disputam o segundo turno, marcado para domingo (25). O tribunal defendeu que as plataformas digitais adotem critérios uniformes na aplicação de suas regras, evitando diferenças de tratamento que possam comprometer a igualdade de condições na disputa.

A manifestação ocorreu depois que integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, receberam informações sobre a possibilidade de uma nova suspensão do canal de WhatsApp denominado “Exército do Lula”. A preocupação era de que a ferramenta deixasse de funcionar ainda nesta sexta-feira, comprometendo a comunicação com apoiadores nas últimas horas da campanha.

O episódio ganhou repercussão após o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, solicitar à Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, esclarecimentos técnicos sobre o funcionamento do canal. A determinação, expedida na quinta-feira (22), estabeleceu prazo de 24 horas para apresentação das informações.

A medida atende a uma solicitação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno. A coligação questiona a existência de possíveis atividades coordenadas de divulgação de conteúdos políticos, incluindo reprodução sistemática de mensagens e mecanismos capazes de ampliar artificialmente o alcance das publicações.

O procedimento também envolve pedidos de informações ao Google e à plataforma X sobre a circulação de expressões e hashtags entre os dias 18 e 20 de outubro. A análise pretende esclarecer se houve práticas digitais incompatíveis com as regras estabelecidas para a propaganda eleitoral.

O canal ligado à campanha de Lula já havia enfrentado duas determinações anteriores de suspensão. A primeira, em 11 de outubro, foi revertida poucas horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Posteriormente, uma nova decisão condicionou o funcionamento do espaço à comunicação de seu endereço à Justiça Eleitoral, exigência que foi atendida pela campanha petista.

Em outra frente, a própria campanha de Lula apresentou questionamentos sobre a atuação das plataformas digitais durante o processo eleitoral. A coligação sustenta que podem ter ocorrido restrições à distribuição de conteúdos favoráveis ao presidente e possível favorecimento da candidatura adversária, levantando suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.

Diante dessas alegações, o corregedor-geral eleitoral também determinou que a Meta apresente informações sobre políticas de inteligência artificial, distribuição de publicações políticas, publicidade eleitoral e remoção de conteúdos. As solicitações fazem parte da análise das denúncias e não representam, por si só, confirmação das irregularidades apontadas pelas campanhas.

A dois dias da votação decisiva, o TSE procura esclarecer o alcance das medidas judiciais e assegurar que a atuação das empresas de tecnologia respeite as normas eleitorais. Os pedidos de informações técnicas continuam em análise, sem que a Corte tenha anunciado, nesta sexta-feira, uma nova determinação para suspender canais do WhatsApp.

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