
A disputa pela Presidência da República ganhou um posicionamento de peso nesta reta final do segundo turno. A ex-deputada federal Joice Hasselmann, que já ocupou a liderança do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, anunciou que votará em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo domingo (25), quando o presidente enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas.

A manifestação foi divulgada por meio de um vídeo nas redes sociais, que ultrapassou a marca de 7 milhões de visualizações. Na publicação, Joice deixou claro que sua escolha não representa uma aproximação ideológica com o Partido dos Trabalhadores, mas uma decisão motivada pela avaliação que faz sobre os riscos políticos de uma eventual vitória do candidato do PL.
Conhecida por sua atuação crítica ao PT durante boa parte da trajetória política, a ex-parlamentar argumentou que considera a preservação das instituições democráticas mais importante do que as divergências partidárias. Segundo ela, a possibilidade de continuar exercendo oposição dentro das regras democráticas foi determinante para sua escolha.
O posicionamento chama atenção especialmente pelo histórico de Joice no campo conservador. Nas eleições de 2018, ela conquistou mais de um milhão de votos pelo então PSL, tornando-se, à época, a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados na história do país. O recorde feminino foi superado em 2026 pela deputada Erika Hilton (PSOL).
A relação de Hasselmann com o bolsonarismo começou a se deteriorar ainda no primeiro ano da administração de Jair Bolsonaro. Entre fevereiro e outubro de 2019, ela exerceu a função de líder do governo na Câmara, posição que lhe proporcionou contato direto com integrantes do núcleo político do então presidente.
Ao justificar o afastamento, a ex-deputada apresentou acusações contra familiares de Bolsonaro e antigos aliados políticos, mencionando episódios que, em sua avaliação, comprometeram as expectativas que havia depositado naquele governo. As declarações representam a interpretação pessoal de Joice sobre sua experiência política.
Na publicação, Hasselmann também fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro e ao grupo político ligado ao ex-presidente. Ela associou o bolsonarismo a práticas que considera incompatíveis com os princípios democráticos e afirmou enxergar na eleição uma decisão que ultrapassa a escolha entre dois projetos partidários.
Apesar do apoio anunciado a Lula, Joice ressaltou que pretende continuar fazendo oposição ao PT após a eleição. Sua posição, segundo explicou, é de que as divergências políticas devem ocorrer dentro de um ambiente institucional que assegure o debate, a alternância de poder e o funcionamento das instituições.
A declaração ocorre às vésperas da votação de 25 de outubro e evidencia como a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro também mobiliza antigos integrantes do campo político que ajudou a eleger Jair Bolsonaro em 2018.
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