Tiros dentro de casa disparam no Grande Recife e expõem rotina de medo: mortes crescem 62%
A violência armada ultrapassou as ruas e invadiu os lares no Grande Recife. Em março, 27 pessoas foram baleadas dentro de casa — o maior número dos últimos nove meses. Destas, 22 morreram. O dado representa um salto de 62,5% em comparação com o mesmo período do ano passado e acende um alerta sobre a […]
A violência armada ultrapassou as ruas e invadiu os lares no Grande Recife. Em março, 27 pessoas foram baleadas dentro de casa — o maior número dos últimos nove meses. Destas, 22 morreram. O dado representa um salto de 62,5% em comparação com o mesmo período do ano passado e acende um alerta sobre a falta de segurança até mesmo dentro das residências.
Os casos ocorridos em ambientes domésticos correspondem a 17% de todas as vítimas de disparos registradas na região no mês. Ao todo, março contabilizou 155 pessoas atingidas por tiros, sendo 111 mortes e 44 sobreviventes — crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2025. Também houve aumento nos registros de tiroteios, que passaram de 128 para 140 ocorrências.
Entre os episódios mais impactantes está o assassinato de uma jovem de 22 anos no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Mesmo protegida por medida judicial contra o ex-companheiro, ela foi morta dentro de casa após o agressor invadir o imóvel e efetuar disparos. Após o crime, ele tirou a própria vida. O caso integra a estatística de feminicídios do mês, sendo que a maioria ocorreu dentro de residências.
A escalada da violência doméstica armada reforça uma sensação crescente de vulnerabilidade. Especialistas apontam que o problema deixou de ser pontual e passou a fazer parte do cotidiano da população, atingindo diretamente espaços antes considerados seguros.
Além disso, março registrou aumento expressivo nos chamados homicídios múltiplos — quando mais de uma pessoa é morta na mesma ocorrência. Foram sete casos, com 14 vítimas, mais que o dobro do registrado no ano anterior.
A criminalidade ligada a roubos também apresentou avanço. O número de pessoas baleadas durante assaltos mais que dobrou, passando de três para sete vítimas. Um dos casos foi o de um policial civil de 52 anos, morto a tiros durante uma tentativa de roubo em Olinda.
Os dados mostram ainda que a violência se concentra em áreas específicas. O Recife lidera com 48 tiroteios, seguido por Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Em bairros, localidades como Cohab, Desterro, Ponte dos Carvalhos e Maranguape II aparecem entre os mais afetados.
A sequência de indicadores negativos evidencia não apenas o aumento da criminalidade, mas a mudança no perfil da violência, que agora alcança com mais frequência o interior das residências. Diante desse cenário, cresce a pressão por medidas mais eficazes de segurança pública e políticas que consigam conter o avanço dos crimes armados.
A tendência preocupa autoridades e especialistas, que alertam para a necessidade de ações urgentes. Caso contrário, o cenário pode se agravar nos próximos meses, ampliando ainda mais o impacto sobre a população da região metropolitana.