PF apura repasses milionários envolvendo empresa ligada a filme sobre Jair Bolsonaro
A Polícia Federal investiga movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as operações analisadas está um repasse de pelo menos R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a Go7 Assessoria Produção e Marketing Cultural. Os dados constam de relatórios de […]
A Polícia Federal investiga movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre as operações analisadas está um repasse de pelo menos R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a Go7 Assessoria Produção e Marketing Cultural.
Os dados constam de relatórios de inteligência financeira mencionados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino na decisão que autorizou a operação “Make Up”, deflagrada nesta quinta-feira (10). A investigação apura suspeitas de desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Uma das linhas investigativas busca esclarecer se valores que passaram pelo ICB podem ter chegado à produção cinematográfica. A própria PF ressalta, no entanto, que os elementos reunidos até o momento não demonstram uma ligação direta entre os recursos públicos recebidos pela entidade e os pagamentos destinados, posteriormente, às empresas relacionadas ao filme.
A transferência de R$ 1 milhão para a Go7 ocorreu de uma única vez, entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, sem data específica informada. Embora a empresa não conste formalmente como produtora de “Dark Horse” no registro da Ancine, materiais de apresentação do projeto apontam sua participação na formação da GoUp Entertainment, em parceria com a norte-americana Uptone Picture.
Outras operações financeiras também estão sob análise. Segundo a investigação, o ICB transferiu R$ 700 mil para a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional. A NTT Brasil, apontada como integrante do mesmo grupo empresarial, repassou outros R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
A PF identificou ainda que a GoUp Entertainment movimentou pouco mais de R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Nesse período, conforme os investigadores, a produtora recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil do deputado federal Mário Frias (PL). As filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro daquele ano, coincidindo com parte das movimentações analisadas.
Frias também aparece na apuração por emendas que somam R$ 2 milhões destinadas ao Instituto Conhecer Brasil. Outro ponto investigado envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de Wi-Fi em áreas periféricas da capital paulista.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão Mário Frias, a representante das empresas Karina Gama, a Go7, o Instituto Conhecer Brasil e a GoUp Entertainment. As defesas de Frias e Karina foram procuradas pelo Estadão, responsável pela obtenção das informações, mas não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.