SUS começa a oferecer nove novos medicamentos contra o câncer; tratamentos podem beneficiar 116 mil pacientes
Ampliação anunciada pelo Ministério da Saúde contempla diferentes tipos de tumores, incluindo câncer de mama, próstata, pulmão e rim. Pernambuco está entre os estados incluídos na primeira etapa.

Pacientes diagnosticados com diferentes tipos de câncer terão acesso a novas possibilidades de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (20), o início da disponibilização de nove medicamentos oncológicos, com 13 indicações terapêuticas e expectativa de beneficiar mais de 116 mil pessoas em todo o Brasil.
A ampliação representa uma mudança na assistência oncológica da rede pública, especialmente para pacientes que dependem de medicamentos de alto custo. Parte dos tratamentos já havia sido incorporada ao SUS há mais de uma década, mas ainda não estava efetivamente disponível nos serviços de saúde.
A primeira etapa de distribuição contempla 20 centros especializados, distribuídos por 17 unidades da Federação, incluindo Pernambuco. Até o encerramento de 2026, a previsão do governo federal é ampliar o acesso aos medicamentos para os demais centros de tratamento do país.
O anúncio foi realizado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em São Paulo, com acompanhamento de representantes da pasta em diferentes estados. No Recife, o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, participou de uma agenda no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), onde apresentou os avanços previstos para a assistência aos pacientes com câncer.
Entre as novidades está o abemaciclibe, utilizado em determinados casos de câncer de mama. O medicamento pode alcançar R$ 366 mil na rede privada, conforme os valores apresentados pelo Ministério da Saúde. Sua disponibilização pelo SUS busca ampliar o acesso de pacientes que apresentam indicação clínica para esse tipo de tratamento.
Segundo Mozart Sales, duas das novas opções terapêuticas destinadas ao câncer de mama podem contribuir para melhorar a qualidade de vida das pacientes e reduzir em até 50% o risco de retorno da doença, nas condições clínicas para as quais são indicadas.
A relação de medicamentos também contempla o pazopanibe, indicado para determinados casos de câncer renal metastático, e a ampliação do uso do trastuzumabe para pacientes com câncer de estômago. Outras opções são destinadas ao tratamento de tumores neuroendócrinos, linfomas, leucemia linfocítica crônica, câncer de próstata, pulmão e tireoide.
Confira os nove medicamentos anunciados pelo Ministério da Saúde
- Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
- Abemaciclibe: determinados casos de câncer de mama precoce, avançado ou metastático.
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.
- Abiraterona: diferentes condições clínicas do câncer de próstata.
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células.
- Alfatirotropina (TSH recombinante): câncer diferenciado de tireoide com indicação de tratamento com iodo radioativo.
- Sunitinibe: câncer renal metastático e determinados tumores estromais gastrointestinais.
A indicação de cada medicamento depende das características do tumor, do estágio da doença e da avaliação da equipe médica responsável.
Governo prevê 23 novos medicamentos até dezembro
A ampliação dos tratamentos faz parte do programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025. A previsão é disponibilizar 23 novos medicamentos oncológicos até o fim deste ano, aumentando em aproximadamente 35% as alternativas terapêuticas oferecidas pela rede pública.
Para viabilizar a iniciativa, o Ministério da Saúde estabeleceu diferentes modalidades de aquisição e financiamento. Dez medicamentos terão negociação e compra direta pela União, outros nove poderão ser adquiridos pelos estados por meio de uma ata de preços, enquanto quatro receberão reforço nos repasses destinados ao custeio dos tratamentos.
O impacto financeiro previsto para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões anuais. Somente os nove medicamentos anunciados nesta etapa representam uma despesa estimada em R$ 155,4 milhões por ano.
SUS também vai ampliar exames para diagnóstico do câncer
Além dos novos tratamentos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT), utilizados no rastreamento do câncer colorretal.
A estratégia será direcionada a homens e mulheres sem sintomas, com idades entre 50 e 75 anos. O exame permite identificar pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, auxiliando na seleção de pacientes que precisarão realizar colonoscopia para investigação.
A implementação começará gradualmente em novembro, inicialmente nas capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes.
Outra mudança envolve a atualização dos valores pagos pelo SUS por procedimentos oncológicos. O governo anunciou reajustes destinados a exames, biópsias, tratamentos com medicamentos e serviços especializados de diagnóstico.
Na área de cirurgia, também está previsto um investimento anual de R$ 46 milhões para custear procedimentos videotorácicos oncológicos, especialmente relacionados ao câncer de pulmão. A técnica utiliza pequenas incisões e equipamentos específicos, permitindo intervenções menos invasivas.
O Ministério da Saúde também pretende fortalecer os serviços de patologia digital e telepatologia, ampliar o acesso a testes genéticos e moleculares e melhorar a estrutura de atendimento para pacientes que necessitam de radioterapia.
As mudanças incluem ainda a criação de um grupo de trabalho dedicado à organização da assistência ao retinoblastoma, tipo de câncer que atinge a retina e afeta principalmente crianças menores de cinco anos.
Com a ampliação dos medicamentos, exames e procedimentos, o governo federal pretende reduzir o tempo de espera por diagnóstico e tratamento, além de oferecer novas alternativas terapêuticas aos pacientes atendidos pelo SUS.
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