
Muitas vezes negligenciado por seus sintomas vagos e silenciosos, o câncer de fígado segue como uma das doenças oncológicas mais agressivas e letais, especialmente entre os homens. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, em 2020, esse tipo de tumor foi o sexto que mais matou homens no país, e o sétimo entre as mulheres.
O hepatocarcinoma, forma mais comum da doença, geralmente se desenvolve em um fígado previamente lesionado. Hepatites crônicas B e C, consumo excessivo de álcool, gordura hepática avançada e cirrose são as principais causas que levam à inflamação crônica do órgão, favorecendo mutações celulares e, consequentemente, o surgimento do câncer.
Com sintomas que raramente aparecem no início, o tumor costuma ser descoberto em estágios mais avançados, o que reduz significativamente as chances de cura. Entre os sinais de alerta estão icterícia (coloração amarelada na pele e nos olhos), urina escura, fezes claras, coceira corporal, perda de peso repentina, cansaço extremo, enjoo persistente e presença de caroço do lado direito da barriga.
A população mais vulnerável à doença inclui portadores de hepatites virais, pessoas com cirrose, usuários crônicos de álcool e pacientes com esteatose hepática grave. Nesses casos, o rastreamento regular é fundamental. A recomendação médica é realizar exames de sangue e ultrassonografia a cada seis meses para detecção precoce.
Quando identificado a tempo, o câncer de fígado pode ser tratado com cirurgia, ablação por radiofrequência, embolização, quimioterapia, imunoterapia ou medicamentos direcionados. A escolha do tratamento depende do estágio do tumor, da função hepática e do estado geral de saúde do paciente.
Nos últimos anos, avanços importantes ampliaram as possibilidades terapêuticas e melhoraram a qualidade de vida de muitos pacientes, especialmente nos casos detectados precocemente. Para prevenção, o caminho é conhecido: adotar hábitos saudáveis, evitar álcool em excesso, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, praticar atividades físicas e manter o controle de doenças hepáticas.
A conscientização é o primeiro passo para reduzir o impacto do câncer de fígado, que continua sendo um desafio silencioso na saúde pública brasileira.
