Senado aprova PEC da Segurança Pública, mas deixa redução da maioridade penal de fora
Proposta recebeu aprovação unânime nos dois turnos de votação e segue para promulgação; mudanças na idade de responsabilização criminal serão discutidas separadamente.

A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos ficou fora da reforma constitucional da segurança pública aprovada pelo Senado Federal nesta terça-feira (3). A decisão mantém as regras atuais de responsabilização criminal de adolescentes e permite que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública avance para a promulgação, sem necessidade de uma nova análise pela Câmara dos Deputados.
A proposta recebeu apoio unânime dos senadores presentes nas duas etapas da votação. No primeiro turno, foram registrados 73 votos favoráveis e nenhum contrário. Na segunda votação, o placar chegou a 75 votos a favor, também sem manifestações contrárias.
O texto aprovado estabelece novas diretrizes para a atuação conjunta das forças de segurança no Brasil. Entre as medidas estão a ampliação da cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, o compartilhamento de informações e provas e a realização de operações integradas para enfrentar a criminalidade.
Outra mudança envolve a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que terá suas atribuições ampliadas para atuar também no policiamento de ferrovias e hidrovias federais. A reforma ainda contempla medidas mais rigorosas relacionadas a integrantes e lideranças de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, considerando a posição ocupada pelos envolvidos nessas estruturas.
Redução da maioridade penal provocou divergências
Embora tenha conseguido amplo apoio para a aprovação da PEC, o Senado enfrentou divergências sobre a possibilidade de reduzir a idade de responsabilização penal. O assunto havia provocado um impasse entre parlamentares governistas e oposicionistas, levando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a retirar a proposta da pauta em 15 de outubro.
Uma das emendas apresentadas, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), defendia a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo. Para os demais delitos, a idade mínima passaria a ser de 16 anos.
Outra proposta, atribuída ao líder do PT, Camilo Santana (CE), estabelecia a responsabilização penal a partir dos 16 anos exclusivamente para crimes hediondos.
Para evitar que as divergências comprometessem a votação da reforma, o relator Rogério Carvalho (PT-SE) defendeu que as alterações relacionadas à maioridade penal fossem analisadas separadamente.
A solução foi aprovada por uma diferença de apenas dois votos: 38 senadores apoiaram a tramitação independente das emendas, enquanto 36 se posicionaram contra. Com isso, as propostas serão encaminhadas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise própria.
A decisão permitiu que a PEC da Segurança Pública fosse aprovada sem modificações de mérito em relação ao texto anteriormente analisado pela comissão. Dessa forma, a reforma segue para promulgação, enquanto a discussão sobre a redução da maioridade penal permanece aberta no Congresso Nacional.
Palavras-chave: PEC da Segurança Pública, Senado Federal, redução da maioridade penal, maioridade penal aos 16 anos, Davi Alcolumbre, Rogério Carvalho, Rogério Marinho, segurança pública no Brasil, Polícia Rodoviária Federal, facções criminosas, Congresso Nacional.
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