
Foi concluído na madrugada desta quinta-feira (11) o julgamento de três acusados de envolvimento na chacina que chocou o município de Poção, no Sertão de Pernambuco, em 2015. O crime resultou na morte de três conselheiros tutelares e uma idosa, e teria sido motivado por uma disputa pela guarda de uma criança. A menina, que também foi alvo dos disparos, sobreviveu.
Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Égon Augusto Nunes de Oliveira e Ednaldo Afonso da Silva foram condenados a 101 anos e 4 meses de reclusão, cada um, por homicídio qualificado das quatro vítimas. Já Orivaldo Godê de Oliveira, pai de Égon, foi sentenciado a 12 anos e seis meses por homicídio simples de um dos conselheiros tutelares.
O júri ocorreu no Fórum Desembargador Thomaz de Aquino Cyrillo Wanderley, na Comarca do Recife, por meio de desaforamento, medida adotada para garantir a imparcialidade do julgamento. A sessão foi presidida pela juíza Maria Segunda Gomes, com participação de sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens.
Os homicídios foram qualificados por terem sido cometidos mediante pagamento ou promessa de recompensa, por emboscada e com o objetivo de garantir a impunidade de outro crime. A motivação teria sido a disputa judicial envolvendo a guarda da criança, neta da acusada de ser a mandante.
Outros quatro réus respondem pelo caso. Um deles, Wellington Silvestre dos Santos, já havia sido condenado a 74 anos de prisão em 2024. Os demais — Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha (avó da criança e suposta mandante), José Vicente Pereira Cardoso da Silva (ex-diretor de presídio) e Leandro José da Silva (detento) — tiveram o julgamento adiado para o dia 3 de fevereiro de 2026, por questões relacionadas à ausência ou impedimento de defesa.
A Justiça determinou que os réus que ainda não foram julgados têm o prazo de cinco dias para constituir novos advogados. O caso segue com desdobramentos e mobiliza familiares das vítimas e entidades ligadas aos direitos da criança e do adolescente.
