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Remédio contra câncer de mais de R$ 20 mil é falsificado e aplicado em paciente; três pessoas são presas

Investigação em São Paulo revela que frascos vendidos como Keytruda não continham o princípio ativo responsável pelo tratamento de tumores.

Foto: Reprodução

Uma investigação sobre a comercialização de medicamentos falsificados contra o câncer revelou um esquema que pode ter colocado em risco pacientes submetidos a tratamentos oncológicos em São Paulo. A Operação Laziosi, que resultou na prisão de três pessoas nesta quinta-feira (5), identificou a circulação de versões fraudulentas do Keytruda, medicamento utilizado em diferentes tipos de câncer e comercializado no Brasil por mais de R$ 20 mil o frasco.

A gravidade do caso ganhou uma nova dimensão após exames laboratoriais demonstrarem que unidades suspeitas do medicamento não apresentavam qualquer substância farmacêutica capaz de produzir o efeito terapêutico esperado. Em uma das situações investigadas, uma dose do produto falsificado chegou a ser administrada a um paciente.

O Keytruda tem como princípio ativo o pembrolizumabe, um anticorpo utilizado na imunoterapia para ajudar o sistema imunológico a combater células cancerígenas. Entretanto, análises realizadas pelo laboratório forense da fabricante MSD identificaram apenas sódio e cloro nas amostras examinadas, sem qualquer vestígio do componente necessário ao tratamento.

Os frascos analisados haviam sido recolhidos em 2024, após suspeitas envolvendo produtos que chegaram ao Hospital IGESP. A falsificação apresentava características que dificultavam sua identificação visual, incluindo embalagens, rótulos, bulas e lacres semelhantes aos utilizados pela fabricante original.

As conclusões laboratoriais passaram a integrar o inquérito policial que fundamentou a Operação Laziosi. Segundo as informações da investigação, o grupo suspeito teria continuado comercializando medicamentos fraudulentos mesmo depois da primeira etapa da operação, realizada em 2024.

Medicamento é utilizado no tratamento de pelo menos 19 tipos de câncer

O Keytruda possui aprovação para utilização em tratamentos relacionados a pelo menos 19 tipos de tumores, incluindo câncer de pulmão, melanoma, câncer renal e tumores que atingem a cabeça, o pescoço, o estômago e o esôfago.

A medicação pode ser indicada para pacientes com doença em estágio avançado e também em determinadas situações após procedimentos cirúrgicos, com a finalidade de reduzir o risco de retorno do câncer.

O medicamento também aparece entre as opções de tratamento previstas para o papa Leão XIV, que deverá passar por imunoterapia durante pelo menos três anos após a retirada de um tumor pulmonar.

No Brasil, o elevado custo do Keytruda representa uma dificuldade adicional para pacientes que necessitam da medicação. Cada frasco ultrapassa R$ 20 mil, enquanto a disponibilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está restrita ao tratamento de melanoma avançado, conforme as informações apresentadas.

Diante dessas limitações, centenas de brasileiros recorrem à Justiça para tentar garantir acesso ao medicamento em outras indicações clínicas.

A descoberta de versões falsificadas amplia a preocupação com a segurança da cadeia de distribuição de medicamentos de alto custo. Além do prejuízo financeiro, a utilização de produtos sem princípio ativo pode comprometer a continuidade de tratamentos contra doenças graves.

As investigações da Operação Laziosi buscam esclarecer a participação dos envolvidos na distribuição dos produtos e a extensão das atividades do grupo. As três prisões realizadas nesta quinta-feira representam um novo desdobramento de uma apuração iniciada em 2024.

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