
O Senado Federal protagonizou um episódio raro na política brasileira ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado-geral da União não conseguiu atingir o mínimo necessário de votos e teve seu nome barrado por 42 votos contrários e 34 favoráveis.

Para ser aprovado, o indicado precisava de ao menos 41 votos favoráveis. O resultado representa um fato histórico: é a primeira vez, em mais de 130 anos, que um nome indicado pelo presidente da República não passa pelo crivo do Senado. O último caso semelhante ocorreu ainda no século XIX.

A decisão surpreende porque, horas antes, Messias havia conseguido aval positivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi aprovado por 16 votos a 11 após sabatina com os senadores. Durante a análise, ele evitou comentar temas polêmicos envolvendo o sistema financeiro, manifestou posição contrária ao aborto e indicou apoio à criação de regras éticas mais rígidas para ministros do STF.
Nos bastidores, a resistência ao nome do advogado já vinha crescendo. Parte dos senadores defendia que a vaga aberta com a saída antecipada de um ministro da Corte fosse preenchida apenas após a próxima eleição presidencial, deixando a escolha para o futuro chefe do Executivo.
A articulação política também pesou. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria preferência por outro nome para o posto, o que influenciou o cenário da votação.
Com a rejeição, o governo federal precisará indicar um novo candidato para a Suprema Corte. A expectativa agora gira em torno de quem será o próximo nome escolhido e como será a articulação política para garantir aprovação no Congresso.








