Era uma vez, numa cidade fervilhante de boatos e intrigas, um certo blogueiro. Um nome apropriado, pensavam todos, para alguém cujo blog menos parecia uma fonte de notícias e mais uma fábrica de maledicências.
O blogueiro não era um comunicador de mão cheia; era mais um alquimista do caos. Seu blog, uma miscelânea de caracteres digitados ao acaso, servia como palco para suas acusações temerárias contra quem quer que se recusasse a patrociná-lo. Parlamentares, o prefeito, secretários e até colegas da imprensa — ninguém escapava de ser o vilão no drama sem fim escrito pelo blogueiro.
“Mas que imprensa é essa?”, questionavam os moradores da cidade, enquanto arranhavam suas cabeças. Com a cara mais lavada do mundo, o blogueiro afirmava usar “inteligência artificial” para escrever seus artigos. Ironia pura, visto que de inteligente e artificial, só tinha a segunda parte — o que incluía seu questionável penteado.
Seu método era simples: lançar a isca e esperar que a presa mordesse. Se mordesse, ótimo; mais material para suas crônicas de meias-verdades. Se não mordesse, melhor ainda; afinal, nada vendia mais do que um bom escândalo. “Toma lá dá cá”, era o lema em seu escritório bagunçado, onde pilhas de notas promissórias se misturavam com igual número de ameaças legais.
A despeito de sua pretensão de ser o primeiro a dar a notícia, o blogueiro frequentemente tropeçava nas próprias pernas, publicando histórias que faziam seus leitores franzir o cenho em confusão. Seu despreparo era tamanho que até parar para verificar uma fonte lhe parecia um exercício hercúleo.
Com o tempo, sua reputação foi tal que até a autoridade local de trânsito se recusava a multá-lo, temendo aparecer no dia seguinte em uma de suas manchetes desfavoráveis. “Não mexa com quem escreve por hobby”, diziam, enquanto evitavam passar por sua rua.
Na ausência de respeito das autoridades e colegas, restava ao blogueiro procurar um Papai Noel para patrocinar suas travessuras. Porque, no fundo, seu sonho era crescer rapidamente — um desejo que, para desgosto geral, parecia tão artificial quanto seu talento para a comunicação verdadeira.
Assim, enquanto a cidade pulsava com verdadeiras histórias esperando para ser contadas, o blog seguia destilando suas versões distorcidas, provando, a cada post, que nem todo mundo que se diz da imprensa está realmente interessado em informar.
