
O presidente da Câmara Municipal de Ipojuca, vereador Flávio do Cartório (PSD), é investigado por repassar, por meio de emendas parlamentares, cerca de R$ 12 milhões a uma associação da qual seria o verdadeiro proprietário. A informação foi divulgada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) durante coletiva realizada nesta quarta-feira (19), um dia após a prisão do parlamentar.
Flávio, cujo nome de batismo é Flávio Henrique do Rego Souza, foi preso nessa terça-feira (18) em um mercado de Boa Viagem, no Recife, durante a segunda fase da Operação Alvitre. A investigação aponta que ele estaria por trás do Instituto Filhos de Ipojuca, entidade beneficiada pelas emendas e presidida por um aliado próximo, que já teria trabalhado com o vereador. Esse presidente, que não teve o nome divulgado, e um empresário da cidade de Bezerros também foram presos nesta quarta-feira.
De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues, membros da diretoria da associação seriam familiares do vereador. Em 2023, o Instituto Filhos de Ipojuca recebeu uma emenda de R$ 5 milhões para prestar serviços de saúde, área na qual não teria capacidade técnica. Os serviços foram terceirizados para uma entidade já investigada na primeira fase da operação.
Flávio já tinha um mandado de prisão preventiva por peculato em aberto e estava sendo monitorado. Ele foi preso em flagrante ao lado do 1º vice-presidente da Câmara, Professor Eduardo (PSD), após agentes observarem uma movimentação considerada suspeita entre os dois. Durante a abordagem, a polícia encontrou R$ 17 mil em espécie e anotações manuscritas que sugerem um possível controle de repasses mensais ligados a um esquema de “rachadinha”. O material relacionava nomes de servidores e valores que somavam R$ 345.854,00.
O flagrante ocorreu após os policiais presenciarem Flávio transferindo um objeto do seu veículo para o carro de Eduardo, utilizando as portas abertas para tentar ocultar a ação. A Delegacia de Boa Viagem foi acionada para dar apoio à abordagem e cumprir o mandado de prisão.
Em nota, o PSD estadual informou que acompanha o caso e aguarda a conclusão das investigações para definir as medidas a serem adotadas. O advogado Raphael Julio Lyra Rego, que representa os vereadores, foi procurado, mas ainda não se pronunciou.
