
A Polícia Federal concluiu que o pastor Silas Malafaia atuou de forma “livre e consciente” nas articulações políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o objetivo de pressionar e constranger o Judiciário brasileiro, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF). As informações vieram à tona a partir de mensagens obtidas pela PF, que integram as investigações sobre possível tentativa de obstrução institucional durante o governo Bolsonaro.
Em uma série de trocas de mensagens reveladas, Malafaia cobrou insistentemente que Bolsonaro gravasse um vídeo direcionado à sua base e ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionando o chamado “tarifaço” norte-americano contra o Brasil a supostas ações autoritárias do STF. O pastor chegou a afirmar que produziria uma versão em inglês com ajuda de inteligência artificial, para ser entregue diretamente a Trump via Eduardo Bolsonaro.
“O Trump quer ver também uma atitude sua”, escreveu Malafaia, pressionando o então presidente a agir. Eduardo, deputado federal licenciado, estava nos Estados Unidos tentando fortalecer articulações políticas com o entorno de Trump, o que teria sido visto por Malafaia como um esforço desprezado por Bolsonaro. Em um dos áudios, o pastor critica duramente o ex-presidente por ter feito comentários públicos desfavoráveis ao filho, chamando Eduardo de “babaca” e afirmando que só não havia divulgado um vídeo atacando o parlamentar por respeito ao pai.
Malafaia foi ainda mais direto ao pedir que Bolsonaro enfrentasse nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusando-o de promover censura e ameaçar empresas estrangeiras. “Você tem que citar Alexandre de Moraes”, disse, acrescentando que Bolsonaro deveria denunciar também a delação premiada de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, como parte de uma estratégia para sensibilizar a base trumpista.
A pressão se intensificou no dia 15 de julho, após Bolsonaro dizer em entrevista que Eduardo “não era tão maduro” para a política. Em resposta, Malafaia disparou novo áudio pedindo ação: “Grave um vídeo, presidente. Seu povo precisa ter algo para se defender e te defender”.
A atuação do pastor, segundo avaliação da PF, ultrapassou o apoio político e se encaixa em ações deliberadas para coagir autoridades, usando estratégias midiáticas e internacionais. A Polícia Federal segue investigando os desdobramentos e possíveis responsabilidades criminais relacionadas aos episódios.
