
Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego identificou e resgatou 15 pessoas submetidas a condições análogas à escravidão em uma empresa de telecomunicações na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife. A ação foi iniciada no dia 29 de abril e concluída nesta quarta-feira (6), após fiscalização em imóveis utilizados como alojamento por equipes responsáveis pela instalação de redes de fibra óptica.

Entre os trabalhadores resgatados estão 12 mulheres e três homens. Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho, o grupo era mantido em um ambiente considerado insalubre, sem estrutura mínima de higiene, conforto e privacidade.

Durante a operação, os auditores-fiscais encontraram trabalhadores dormindo em colchões espalhados pelo chão, dividindo camas de casal e até utilizando bobinas de fibra óptica como apoio improvisado para descanso. O mesmo espaço servia simultaneamente como dormitório, depósito de equipamentos e área de alimentação.
A fiscalização apontou que o imóvel apresentava superlotação severa. Havia poucos banheiros para atender todos os ocupantes, obrigando os trabalhadores a fazer revezamento durante a madrugada para conseguir utilizá-los. Um dos sanitários ficava do lado de fora do alojamento, expondo os ocupantes à chuva e à falta de segurança durante a noite.
Além da precariedade da estrutura, os trabalhadores não tinham armários ou locais apropriados para guardar objetos pessoais. Mochilas, malas e roupas eram armazenadas no próprio dormitório, em meio a cabos, roteadores, ferramentas e materiais usados nas instalações da empresa.
Os auditores também identificaram improvisos na área de alimentação. Sem cozinha adequada, utensílios eram colocados sobre bobinas de fibra óptica para preparo e distribuição das refeições. O espaço ainda funcionava como ponto de apoio para equipes em deslocamento, chegando a concentrar cerca de 40 pessoas em determinados períodos.
A maior parte dos trabalhadores resgatados é do município de Rio Formoso, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Conforme as investigações, os profissionais eram transferidos constantemente para diferentes cidades de acordo com a demanda da empresa, permanecendo em alojamentos coletivos com sinais de repetição das mesmas irregularidades.
Segundo o Ministério do Trabalho, a dinâmica operacional da empresa favorecia a manutenção das condições degradantes. Sempre que surgiam novas frentes de atuação, equipes eram deslocadas e concentradas em imóveis improvisados para acelerar ações de venda, divulgação e instalação dos serviços de internet.
A Auditoria-Fiscal do Trabalho concluiu que os trabalhadores estavam submetidos a condições degradantes, caracterizadas pela ausência de requisitos básicos de segurança, higiene e dignidade humana. Após o resgate, foram emitidas guias para que os trabalhadores tenham acesso ao seguro-desemprego especial destinado a vítimas desse tipo de exploração.
A operação contou ainda com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho, que devem acompanhar os desdobramentos do caso e possíveis responsabilizações dos envolvidos.








