Olinda: parque aquático é alvo de ação por desmatar mata atlântica e mudar curso de rio; MP pede interdição urgente

Um dos parques aquáticos mais conhecidos da Região Metropolitana do Recife está no centro de uma grave denúncia ambiental e pode ser interditado a qualquer momento. O Ministério Público de Pernambuco acusa o Coqueiral Park de operar ilegalmente, desmatar área protegida e até alterar o curso de um rio.
O caso envolve o Coqueiral Park, localizado no bairro de Ouro Preto, em Olinda, dentro de uma área de preservação permanente (APP) ligada ao Rio Fragoso. Segundo o MPPE, o empreendimento funciona há mais de 20 anos em um fragmento de mata atlântica, mas acumula uma série de irregularidades.
De acordo com investigações iniciadas após denúncia anônima, o parque realizou intervenções consideradas graves, como a retirada ilegal de barro da área protegida, descarte irregular de resíduos e a construção de um barramento de concreto que alterou o curso natural do rio — tudo sem autorização ambiental.
A Agência Estadual de Meio Ambiente confirmou as irregularidades após vistorias e aplicou multa, além de embargar atividades e exigir a recuperação da área com o plantio de centenas de mudas nativas. No entanto, as determinações não teriam sido cumpridas.
Além dos danos ambientais, o MPPE aponta que o parque opera sem documentação essencial, como alvará da prefeitura, licença ambiental válida e autorização do Corpo de Bombeiros, o que configura funcionamento clandestino.
Diante do cenário, o órgão ingressou com ação civil pública pedindo a interdição imediata do espaço, além de uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
O promotor responsável destacou que a medida busca evitar novos prejuízos ambientais e garantir a segurança dos frequentadores, apontando inclusive risco de acidentes graves.
O histórico do local também preocupa. Em 2016, uma criança morreu afogada no parque, e perícias já haviam identificado falhas estruturais e ausência de itens de segurança.
A prefeitura de Olinda informou que ainda não foi notificada oficialmente, mas afirmou que deve agir conforme decisão judicial. Já a CPRH declarou que o parque segue sem licença válida e que novas vistorias serão realizadas.
O caso segue na Justiça e pode ter desdobramentos importantes, incluindo o fechamento definitivo do empreendimento caso as irregularidades sejam confirmadas.



