
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), se manifestou nesta terça-feira (20) sobre o pedido de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa pelo deputado Romero Albuquerque (UB). Diante de cerca de 70 prefeitos e lideranças políticas, durante a Assembleia Extraordinária da Amupe, a chefe do Executivo estadual afirmou que não teme investigações, mas deixou claro que não admite questionamentos à sua integridade pessoal.
No discurso, Raquel destacou o histórico familiar e afirmou ter “legado de caráter e retidão”, reforçando que está disposta a debater qualquer tema relacionado à sua gestão. Apesar disso, fez um alerta em tom firme ao tratar das acusações: disse que não se deve “mexer com a honra de uma pessoa honrada”.
O pedido apresentado pelo parlamentar tem como foco a atuação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) na fiscalização da Logo Caruaruense, empresa pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai da governadora. A denúncia aponta que a transportadora teria operado por cerca de três anos sem fiscalização adequada. Na última sexta-feira, João Lyra anunciou o encerramento das atividades da empresa, que funcionava há seis décadas.
Durante a fala, Raquel relembrou uma Comissão Parlamentar de Inquérito enfrentada no ano anterior, relacionada à área de publicidade. Segundo ela, após a abertura da CPI, o Tribunal de Contas do Estado produziu um relatório extenso que não apontou irregularidades, além de decisões favoráveis obtidas no Supremo Tribunal Federal, na Justiça estadual e em instâncias inferiores. Ainda assim, a comissão não teria sido oficialmente arquivada.
Ao comentar diretamente o pedido de impeachment, a governadora disse que sua trajetória pessoal e familiar responde por ela. Afirmou estar serena, sem receio de prestar esclarecimentos, e garantiu que não permitirá que a polêmica desvie sua atenção das entregas prometidas à população pernambucana. Também afirmou que não irá “esmorecer” nem se deixar consumir por disputas políticas.
Raquel Lyra classificou as acusações como uma possível tentativa de criar “cortina de fumaça” e afirmou estar aberta a qualquer debate relacionado à gestão pública. Segundo ela, temas administrativos devem ser discutidos com transparência, mas sua vida pessoal não será objeto de exploração política. A governadora também citou o ambiente de desinformação na política e criticou o que chamou de ataques à biografia de pessoas públicas.
Resposta do deputado
Autor do pedido de impeachment, o deputado Romero Albuquerque reagiu às declarações da governadora e afirmou que as explicações ainda não foram dadas. Para ele, a questão central é a ausência de fiscalização sobre a empresa de transporte ligada à família de Raquel, que, segundo sustenta, teria operado de forma irregular.
O parlamentar disse que a denúncia não se baseia em apelos emocionais, mas em documentos. Segundo Romero, ao anunciar o fechamento da empresa, a governadora teria se posicionado mais como integrante da família proprietária do negócio do que como chefe de um governo responsável pela fiscalização. Ele também afirmou que a discussão não envolve honra pessoal, mas possíveis indícios de favorecimento e riscos à segurança de passageiros.
O caso deve seguir em debate na Assembleia Legislativa, enquanto o pedido de impeachment aguarda os próximos encaminhamentos formais.
