
Um crime de extrema crueldade chocou a cidade de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), na noite da última segunda-feira (15). A mulher trans Natasha Alvarenga Ferreira, de 44 anos, morreu queimada viva por outra mulher, com quem mantinha um relacionamento. Ambas estavam em situação de rua.
Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o corpo carbonizado foi localizado sob uma passarela às margens da BR-381, na entrada do bairro Cidade Nova. Imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos da região flagraram o momento exato em que a vítima foi incendiada, ainda dormindo.
As gravações foram decisivas para a identificação da autora do crime, que foi presa no dia seguinte, na Praça de Igarapé, nas proximidades de onde o assassinato ocorreu. De acordo com a polícia, ela vestia as mesmas roupas utilizadas no momento do ataque e não demonstrou arrependimento ao ser detida.
Em depoimento, a suspeita relatou que vivia um relacionamento com Natasha e que as duas teriam discutido por drogas e ciúmes. Alegando medo de represálias, a agressora afirmou que decidiu agir enquanto a vítima dormia.
A Polícia Civil já iniciou a investigação do caso, que será tratado como homicídio qualificado com uso de fogo e motivo torpe. A brutalidade do crime gerou revolta e consternação, especialmente entre movimentos que atuam na defesa dos direitos da população LGBTQIA+, que cobram justiça e políticas públicas de proteção à vida da população trans, historicamente vulnerável à violência.
Natasha é mais uma entre tantas vítimas da transfobia e da violência extrema que atinge mulheres trans em situação de vulnerabilidade no Brasil, país que continua liderando os índices mundiais de assassinatos contra pessoas trans.
