Um ano após a morte da pequena Heloysa Gabrielle, de 6 anos, pouca coisa mudou na Região Metropolitana do Recife. A menina, atingida por uma bala perdida no dia 30 de março de 2022, durante uma operação policial do BOPE em Salinas, em Porto de Galinhas, Ipojuca, não é um caso isolado. Outras 11 crianças foram baleadas no Grande Recife desde sua morte, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado. Entre as vítimas, duas delas morreram e nove ficaram feridas.
Heloysa foi a terceira criança baleada no Grande Recife em 2022. O ano passado terminou com acumulou 13 vítimas no total: três morreram e outras 10 ficaram feridas;. 2022, inclusive, foi o ano mais violento para crianças de toda a série histórica do Fogo Cruzado. O Instituto atua em Pernambuco desde 1º de abril de 2018.
Ao todo, em cinco anos já foram mapeadas 48 crianças baleadas no Grande Recife: oito morreram e 40 ficaram feridas. Os números retratam uma realidade difícil de aceitar.
“O estado é um dos mais violentos do país para crianças e adolescentes. E os números não diminuem ao longo dos anos. Dados como esse evidenciam um problema que precisa urgentemente de solução. É preciso investir em políticas públicas eficazes para zelar pela segurança das crianças, e os dados colaborativos são aliados porque nos permitem mensurar o problema da violência armada contra os mais novos”, avalia Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz 40 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e de Salvador.
Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.
