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Morre Dadá Figueiredo, ícone do surfe brasileiro, aos 61 anos, após complicações de pneumonia

Surfista carioca marcou gerações com manobras inovadoras, atitude punk e uma trajetória de superação que ultrapassou os limites do esporte.

Foto: Divulgação/Instagram/Dada Figueiredo

O surfe brasileiro perdeu neste sábado (24) um dos personagens que ajudaram a transformar a modalidade no país. Dávio Correia Figueiredo, conhecido nacionalmente como Dadá Figueiredo, morreu aos 61 anos, vítima de complicações provocadas por uma pneumonia. O atleta ficou conhecido por desafiar convenções, desenvolver novas técnicas nas ondas e influenciar gerações de surfistas durante as décadas de 1980 e 1990.

Natural do Rio de Janeiro, Dadá construiu uma trajetória marcada pela criatividade e pela maneira pouco convencional de encarar o esporte. Enquanto muitos atletas seguiam movimentos tradicionais, ele apostava em manobras mais agressivas, inspiradas no skate, incluindo movimentos verticais, aéreos e mudanças bruscas de direção. Essa combinação ajudou a antecipar características que posteriormente se tornariam comuns no surfe profissional.

Sua ligação com o mar começou ainda na infância, entre 1970 e 1973, incentivada pelo pai, que atuava como diretor do Camping Clube do Brasil. A primeira prancha, feita de isopor, foi comprada pela mãe em um supermercado. Como morava na Tijuca, distante das praias, utilizava o skate para se deslocar pelas ruas, experiência que acabaria influenciando diretamente seu estilo dentro da água.

Surfista conquistou títulos e revolucionou manobras

O reconhecimento esportivo veio acompanhado de resultados importantes. Em 1989, Dadá conquistou o título de campeão carioca de surfe. Quatro anos depois, em 1993, foi escolhido pelos leitores de uma revista especializada como o melhor freesurfer do Brasil, distinção que consolidou sua reputação como um dos atletas mais criativos de sua geração.

Além de competir, ele também se dedicou ao desenvolvimento de equipamentos. Com conhecimentos adquiridos na fabricação e adaptação de pranchas, passou a experimentar modelos mais estreitos e estruturas modificadas com poliuretano, buscando maior mobilidade e desempenho. As mudanças contribuíram para a execução de manobras consideradas avançadas para a época.

Punk rock e comportamento contestador marcaram sua carreira

A personalidade de Dadá também ganhou destaque fora das competições. Influenciado pelo punk rock e pelo hardcore, o surfista adotava um visual com cabelos moicanos e roupas pretas, rompendo com a imagem tradicionalmente associada ao universo do surfe.

Ele chegou a tocar baixo na banda Os Normais e criou marcas próprias, como Anti-Fashion e Necrose Social, que expressavam sua ligação com a cultura alternativa. A postura crítica também apareceu em eventos esportivos, especialmente durante o Staff Poll de 1985, no Rio de Janeiro, quando questionou publicamente a exploração comercial de atletas por empresários.

Mudança de vida e dedicação ao ensino do surfe

A trajetória pessoal do esportista também foi marcada por períodos difíceis. Dadá enfrentou problemas relacionados à dependência de drogas e episódios de violência, experiências que se tornaram parte de sua história pública.

Posteriormente, encontrou na religião um novo caminho e passou a atuar como pastor evangélico. Paralelamente, manteve a ligação com o esporte por meio da fabricação de pranchas e da formação de novos praticantes em uma escola de surfe na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Sua história foi retratada no documentário Radical: A controversa saga de Dadá Figueiredo, produção dedicada a apresentar as diferentes fases de sua vida, desde o protagonismo nas ondas até os desafios pessoais e a transformação de sua trajetória.

Pai de três filhos, Dadá deixa uma contribuição que ultrapassa os títulos conquistados. Sua influência permanece nas técnicas que ajudou a popularizar, na cultura alternativa que levou para as praias e na liberdade criativa que marcou sua geração. A Federação de Surfe do Estado do Rio de Janeiro (FESERJ) está entre as entidades que reconheceram sua importância histórica para o desenvolvimento da modalidade no Brasil.

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